quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sinais de pontuação


Não gosto quando as pessoas dão o dito por não dito.
Eu sei que o faço amiúde, mas não aprecio quando os outros o fazem. E o que é certo é que as pessoas estão sempre a dar o dito por não dito "no que concerne" (oh, expressão bonita) à minha pessoa.
Há pessoas que têm uma certa mania de fazer tudo pela calada, evitando o compromisso pesado da frase declarativa afirmativa e do ponto final. Em vez disso, preferem a ambiguidade cobardolas das reticências e da frase interrogativa.
Em vez de "Passo por tua casa.", dizem "passo por tua casa... passo por tua casa? sim, passo por tua casa...", e depois não passam. Se lhes for pedir satisfações, respondem-me "eu dei-te a certeza de que ia a tua casa? Não, eu disse talvez". E assim se vão safando, graças à sua sábia manipulação gramatical.
Pois. Para mim, a gramática serve para as pessoas comunicarem racional e eficazmente, como dizia esse filósofo interessante que é Paul Grice, cujos ensinamentos fazem falta a certos indivíduos. O ponto final serve para ser utilizado. A frase declarativa afirmativa serve para comunicar algo de forma directa, clara, sem abiguidade - seja perspícuo, lá dizia Grice. Não é para nos refugiarmos na comodidade das reticências, cuja diplomacia é equivalente àquela que deu o Prémio Nobel ao Kissinger. Não tenho, de facto, as reticências em grande consideração.
Não percebo porque é que as pessoas insistem em violar de forma tão aberta e abusiva estes princípios fundamentais das regras de conversação e das normas gramaticais, que servem para a gente se entender. Eu defendo o ponto final. Não aprecio quem não o sabe utilizar. A vida tem uma gramática, e portanto era bom que todos soubéssemos utilizar as regras de pontuação.

4 comentários:

Zorze disse...

Querida Rita, gostei muito da sua última asserção sobre a natureza da vida. Mas às vezes há que deixar as coisas no ar...

Rita F. disse...

Considera...? :)

Zorze disse...

Sim!!!

Rui Almeida disse...

Tens toda a razão...
Toda...