sábado, 5 de junho de 2010

Fogueteiro

Portugal está repleto de sítios pavorosos. O que me faz impressão são aquelas terras de descampado, por onde pululam vivendas feias, de cor desbotada ou com azulejos de casa-de-banho por fora, e onde não há cafés nenhuns ou, se há, é um barracão com um anúncio a dizer "Café Camelo". Que é uma zurrapa.
Curiosamente, Portugal é um país bonito. O que acontece é que a costa estremenha, e até um pouco da nortenha, desconhece o significado de planeamento urbano e está devastada por subúrbios selvagens. É desconfortável.
Não estranho que os países onde vi das aldeias mais feias de sempre tenham sido Portugal e a Grécia. É claro que também têm aldeias bonitas, mas sofrem deste mal de muita fealdade urbana concentrada numa pequena área.
Se soubesse mais de arquitectura (não sei nada), estaria com certeza em condições de perceber o impacto da supra-mencionada fealdade na vida das pessoas. Não é, mais uma vez, de estranhar que o presidente da Câmara de Tirana (ou equivalente ao presidente), quando confrontado com a falta de verba para fazer obras numa cidade que precisa desesperadamente delas, tenha decidido gastar o dinheiro em pintar os edifícios de várias cores, para, pelo menos, alegrar o olhar de quem fazia o esforço de viver na capital da Albânia. Não resultou - a cidade tornou-se ainda mais feia, porque agora não era apenas feia, era também garridamente bizarra. Feria o olhar.
É fundamental gostarmos do sítio onde vivemos. Podemos viver num local objectivamente feio, mas para nós, nem que seja pela força do hábito, que tem, de facto, muita força, tem de nos parecer aprazível, relva, amigos à porta, cafés, passarinhos e abelhas, sei lá.
Quem o feio ama, bonito lhe parece. Uma vida feliz aplica isto não apenas às pessoas, mas também aos locais. E será, talvez, a única forma de vencer o feio.

4 comentários:

Zorze disse...

Comentário prévio: o café Camelo É bom! Aliás, as marcas pequenas têm invariavelmente melhor café que a Delta.

Depois de viver em países onde a relva e os passarinhos são criteriosamente dispostos no sítio certo, posso dizer que afecta bastante a vida das pessoas.
Se bem que o caos urbanístico do nosso Portugal em geral, dá-lhe a tipicidade que falta à assepsia do muito cuidado planeamento urbanístico.

L disse...

Camelo é a designação comercial que o Nabeiro usa essencialmente em Espanha, ou seja, Camelo é café Delta com outra aparência.

Tuxa disse...

E o Fogueteiro é, sem dúvida, um bom exemplo da falta de planeamento urbanístico que grassa pelo país fora. É pena porque, efectivamente, faz toda a diferenca na qualidade de vida que se sente ter.

Rita F. disse...

Café Camelo é café Delta?! É bom café?
Estava longe de imaginar... a mim, sabe-me sempre tão mal. Talvez seja da forma como é tirado. Aqui perto de onde vivo, há um café que tem Delta Diamante, que em princípio é super-bom, e tiram aquilo tão mal que também é uma zurrapa.
Café Camelo é Delta... realmente, nunca me passaria pela cabeça. Estamos sempre a aprender. :)