segunda-feira, 21 de junho de 2010

Ideias?

Gostava de saber de onde vêm as ideias.
Sei, porém, de onde é que não vêm e talvez saiba o que preciso de fazer para ter mais ideias.
Mais do que desligar a televisão, que deixou de me distrair, tenho de desligar a internet. É tão fácil perder tempo com a internet, e uma perda de tempo ainda mais improdutiva do que a televisão.
Dividimo-nos em pequenos pedaços, cada um a prestar atenção a coisas diferentes - ler artigos na wikipedia, ler as notícias, ver uma coisa no youtube, descobrir um site absolutamente inútil mas que nos parece interessantíssimo, escrever parvoíces no facebook ou olhar para as parvoíces dos outros, etc.
Na maior parte das vezes, sinto-me tão mal quando desligo a internet como quando acabo de jogar Sims3, que a minha infantilidade não consegue deixar de gostar - absolutamente oca. Não há nada na minha cabeça, nestes momentos. A internet é, na maior parte das vezes, a fast food do cérebro. É claro que apresenta vantagens inegáveis mas é, fundamentalmente, a glorificação globalizada e virtual da inutilidade. Eu sempre fui a favor da inutilidade, mas agora começo a achar um tanto ou quanto demais. É que, antes da internet e dos computadores, eu não sabia o que era a sensação de completo esvaziamento mental. Agora sei. E considero desagradável. Não gosto.
Por isso, gostava, sim, de saber de onde vêm as ideias. Gostava de conseguir passar uma semana sem televisão nem internet, a ler, a ler, a ler compulsivamente e a ter ideias. Mas basta-me ligar o pc para não resistir ao impulso demoníaco do império on-line. Além de que, obviamente, tenho o blog, e gosto do blog. É bom ter algo que obrigue a escrever regularmente, mesmo que nem sempre saia bem. Mas vir ao blog implica entupir-me com as boçalidades que navegam por aí, neste espaço etéreo onde nos encontramos. E é chato. Gostando de inutilidade, sempre me insurgi ligeiramente contra a boçalidade, que incomoda.
Bom.
Isto para dizer que há semanas que não tenho uma única ideia de jeito. Uma única. Ando a trabalhar demasiado, talvez, e eu nunca me dei bem com o trabalho. Eu e o trabalho, é uma magia que não se dá.
Enfim.

3 comentários:

Rui disse...

Cara Rita,
Como referes, o trabalho, a net, a televisão (telejornais e séries) e, para mim, os jornais e revistas também, todos eles têm o condão de "secar" qualquer criatividade que eu possa ter no domínio das ideias.
O trabalho, de todos, é o pior assassino. O meu blog só começa a respirar em férias; antes, tenta sobreviver aos soluços.

O único antídoto que conheço para este estado de coisas é a leitura de livros. Mas não de uns quaisquer.

Não podem ser de ficção nem de poesia. Nem de actualidades ou de história, nem dos que pretendem dar-nos receitas práticas (incluo aqui os de auto-ajuda).
Dos que restam, aqueles que simplesmente procuram explicar como as coisas se passam, são os menos bons, embora na verdade possam estimular o nosso espírito crítico.

Mas os melhores são os que interrogam o que ninguém se lembra de questionar e que, depois, procuram respostas não convencionais, criando formas inéditas de pensar o nosso mundo aborrecido e igual de todos os dias.

Alguns exemplos que me atrevo aqui a propor (funcionaram comigo e tornaram-me mais inteligente, embora, reconheço-o, estão muito direccionados para os problemas da liberdade e da independência face a todos os poderes):
A Desobediência Civil, de Henry Davis Thoreau; A Condição Humana, de Hannah Arendt; O Existencialismo é um Humanismo, de Sartre; Obedience to Authority, de Stanley Milgram; Influence: The Psychology of Influence, de Robert Cialdini; e, last but not the least, o brilhante A Loucura da Normalidade, de Arno Gruen.

Rita F. disse...

Obrigada pelo comentário e pelas excelentes sugestões, Rui.

No entanto, a única coisa que acrescentaria é que, pelo menos para mim, a ficção e a poesia fazem milagres, também, para abrir os horizontes. Sem elas é que embruteço. Uma coisa terrível. :)

Fado Alexandrino disse...

Só queria dizer duas coisinhas.
O tempo que gasto em vir a este blog acho que é um crédito e não um débito.
Igualmente aquele que perco com o meu.