domingo, 9 de maio de 2010

Bola


Gosto de futebol por causa da festa. Não percebo a fundo todas as regras do jogo, e nem sequer conheço todo o plantel do Benfica. Mas gosto de futebol e sou do Benfica.
Acima de tudo, gosto de bola, que pode ser uma rodilha de trapos ou uma esfera mais pesada e profissional, e que permite que os miúdos joguem na rua e que os adultos disputem campeonatos. A bola dá oportunidade tanto ao pobre como ao aristocrata - há inúmeros casos de jogadores que vieram do nada, de vidas pobres ou quase miseráveis, mas que chutavam a bola desde pequenos e que assim descobriram um talento imenso (o que não desculpa de forma nenhuma a pobreza, mas mostra como o futebol chega a tantas vidas diferentes). A bola fascina crianças, que de repente se esquecem da sofisticação dos brinquedos com pós modernos para exercitar o pé em chutos animados, e no entanto é uma coisa tão simples, que não custa nada. Uma bola.
E, por isso, ver o Benfica campeão é, como dizem os benfiquistas mais empedernidos, "uma alegria muito grande" e "uma coisa muito bonita". Primeiro, porque, por herança familiar, que mais tarde se tornou do coração também, sou do Benfica. Segundo, porque é inesquecível ir à Luz e ver tantas pessoas felizes. Respira-se felicidade, que transborda de tanta gente tão diferente, velhos, novos, famílias inteiras, adolescentes, mulheres, homens.
Aceito quem não gosta de futebol, quem não tem paciência, quem é indiferente a derrotas e vitórias (nem sequer é uma questão de aceitar; não tenho nada a ver com isso). Aceito, porém, com muita dificuldade que me digam que ter um clube do coração "é uma estupidez", como às vezes ouço, e que o futebol só serve para negócios escuros por causa de uma data de homens a correr atrás da bola. Os negócios escuros do futebol só entristecem quem verdadeiramente gosta de um clube, assim como o mau perder e as cenas de batatada que às vezes acontecem também mancham, vergonhosamente, aquilo que devia ser uma festa alegre. E porém, estes episódios tristes não afectam a felicidade de uma vitória, ou a plenitude de cantar a plenos pulmões na Luz (onde não consegui estar hoje, com uma pena imensa), de cachecol ao pescoço.
É uma coisa muito bonita. Uma alegria muito grande. E gosto que as pessoas partilhem isto por causa de uma simples bola. Não me parece menor, não me parece pouco inteligente. Parece-me bem, e isto independentemente de sermos do Benfica, do Sporting, do Porto.
Viva a bola e, hoje, com toda a força, viva o Benfica.

3 comentários:

Analog Girl disse...

Bem dito! Viva!
:)

Fado Alexandrino disse...

Muito bem explicado.
Como dizia um senhor ontem na televisão " ser benfiquista não tem explicação".
É verdade, nasce-se logo assim.
Já para se ser do Sporting é preciso ter elite e do Porto é preciso (bem como este é um blog decente não me vou alongar).
Há mais clubes mas agora não me lembra o nome deles.

Rita F. disse...

Analog Girl, saudações benfiquistas, como se diz. :)

Fado, essa de que se nasce benfiquista é linda! :) Gosto quando as pessoas dizem isso. Acho que não partilho exactamente o mesmo ponto de vista, mas gosto. De qualquer forma, o Benfica parece-me, sem dúvida, um clube especial. Talvez por estar mais associado ao povo, de facto. Talvez por ter uma "mística" (estou a brincar, detesto a palavra "mística"). Hoje em dia, já não há muito a divisão Benfica-povo/ Sporting-aristocratas, ou ainda há? Essas coisas passam-me um bocado ao lado, mas talvez ainda existam mesmo e eu é que não dou por isso.