quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Coiote

Esta proposta do Facebook de se mudar a fotografia e substituir por um boneco da infância fez-me lembrar o Coiote, aquele que andava sempre atrás do beep-beep e, além de  nunca conseguir cumprir o seu propósito final, que era apanhá-lo, ainda era tão azarado que acabava em tormentos físicos, e certamente psicológicos, que custavam a ver. Custavam, mas não o suficiente para que a pessoa não se risse com aquilo.
No entanto, reparo agora que sempre senti uma pena imensa do Coiote - coitadito, sempre que as coisas lhe corriam mal os olhos pingados escorriam-lhe cara abaixo que metia dó. De certa forma, até me identifico com ele. É que o Coiote, no fundo, não era má pessoa, pelo contrário - sabia o que queria da vida e encetava esforços para o conseguir, mas a questão é que a vida nunca estava do lado dele e, por inépcia da própria personagem, castigava-o cruelmente.
De modo que, analisando a problemática do Coiote, penso que se podem detectar aqui dois factores, que são: por um lado, e como diz o Woody Allen, a gente tem de ter jeito para a vida e, se não o tiver, há que o aprender e desenvolver. O Coiote, claramente, não só não tinha jeito nenhum como nunca conseguiu aprender nada, por mais pedregulhos que lhe aterrassem na cabeça. Por outro, a pessoa até pode ser muito inteligente e sensível, sensata, expedita e avisada, mas também tem de ter alguma sorte. Podem sempre dizer-me que fazemos a nossa própria sorte, e eu até acredito nisto na proporção de, mais ou menos, 90%. Mas há uns restantes, e maliciosos, 10% que ditam que as coisas correm mal porque têm de correr mal ou que correm bem porque têm de correr bem. O Coiote nunca conseguia ultrapassar estes 10%, mesmo quando se queria armar em chico-esperto. Era, até, quando se armava em chico-esperto que as coisas lhe corriam pior, o que em si mesmo é já uma grande lição para este país de chico-espertismo: pode resultar por um tempinho, mas não resulta para sempre e depois acaba-se com o tal pedregulho em cima da cabeça.
Coitado do Coiote. A vida não gostava dele.

3 comentários:

Ana disse...

E o que eu rezava para o Coiote apanhar o Bip-bip e fazê-lo em picadinho.

Rita F. disse...

Ah,pronto...não sou a única a pender mais para o lado do Coiote. :)

masquediabo disse...

Bem visto.