sábado, 16 de janeiro de 2010

O grave e terrível drama de deixar crescer o cabelo (aviso: é literalmente sobre isto que se vai falar)

Quem já passou por isso sabe perfeitamente do que estou a falar.
O que se passa é que, tendo decidido há algum tempo cortar o cabelo, desfrutei de mais ou menos um ano de delícias, cabelo curto à Jean Seberg, à Astrid Kirchherr, à Winona Ryder, enfim, diverti-me imenso, apesar de (mais uma vez, quem já passou por isto sabe perfeitamente do que estou a falar) dizer que o cabelo curto é low-maitenance é apenas para quem nunca o usou curto, porque este tipo de corte exige permanentes idas ao cabeleireiro acertar as pontinhas rebeldes que crescem logo em duas semanas. Enfim.
Acontece que, já um bocadinho farta das Jeans Sebergs e das Astrids, que inventaram o corte de cabelo dos Beatles mas pronto, agora estou mais numa de Amelies e Louise Brooks, e portanto decidi deixar crescer o cabelo. Quem já passou por isto sabe perfeitamente do que estou a falar, e sabe que é nada mais nada menos do que: pe-sa-de-lo.
Primeiro, acordar todas as manhãs com as pontas meio crescidas espetadas para todo o lado, em pequenas ondas impossíveis de esticar. Tempo imenso perdido a lavar a cabeça e a esticar cabelos por todo o lado, com o secador no máximo, até estar tudo direitinho. Passo a vida a lavar a cabeça.
Segundo, sair de casa e o parco penteado, que foi o que se conseguiu arranjar, desfaz-se imediatamente, tornando-se o cabelo numa massa desordenada, onde pequenos fios caem para a testa, e outros se levantam indecentemente por trás da orelha. Um desalinho.
Terceiro, olhar para o espelho, pentear com os dedos, pentear com a escova, voltar a pentear, e tudo o que se consegue é, novamente, uma massa desalinhada por onde pequenas pontas, sem ordem nem forma, persistem em despontar. Tipo Lisa Simpson, mas ainda pior.
Quarto, olhar para o espelho e desesperar de tal forma que se quer, e muito, ir à máquina zero.
Eu tenho a convicção de que, quando o cabelo está bem, o dia corre bem. Quando o cabelo está mal, o dia corre mal. Ultimamente, como só tenho maus dias de cabelo, está-me a correr tudo mal, ando sem tino, a tentar fazer coisas e sem conseguir acabar nada. Tudo desorganizado, e a culpa é toda do cabelo, que me faz desatinar.
O pior de tudo ainda é ouvir os comentários caridosos das pessoas - "ah, estás a deixar crescer o cabelo... olha, eu gostava muito quando o usavas curto!", do estilo: "corta mas é essa trunfa, que isso não se pode ver". Pois.
Mas não vou cortar a trunfa, não senhor. Vou persistir, ao menos uma vez na vida, e voltar à Louise Brooks. Em vez disto:


(em si, uma lindíssima foto)

... o meu objectivo é este:


(ainda por cima, e como já aqui afirmei, e como todos os meus amigos podem confirmar, eu sou tal e qual como a Louise, sou igual, igual, igual, e portanto vou ficar exactamente assim).

3 comentários:

José disse...

Só para dizer que amei isto:
«Eu tenho a convicção de que, quando o cabelo está bem, o dia corre bem. Quando o cabelo está mal, o dia corre mal.»

Rita F. disse...

Eh, eh, e concordas? :)

José disse...

Mas é claro! O que me espanta é nunca ter percebido isso antes. Infelizmente tenho mais dias com o cabelo mal que bem. Há uns tempos rapei, para não sofrer disto, mas também não fico muito bem com o cabelo rapado. Pareço um preso, ou assim. Queria ser o Alain Delon.