domingo, 17 de janeiro de 2010

Nota mental: escrever sobre qualquer coisa, escrever sobre qualquer coisa...

Não adianta.
Já comecei dois posts - um era sobre os meus vizinhos, que são um bocado chatos porque têm um cão Milu um bocadinho patético, que ladra de uma forma esganiçada, discutem sempre muito ao fim-de-semana por estarem fechados em casa, e além disso cozinham epicamente, empestando o hall e o elevador de cheiro intenso a carne assada, cebola, peixe frito. Um cheiro indelével. A minha teoria é que, cheios de boas intenções a preparar comida caseira, os vizinhos são incapazes de aguentar tanta trabalheira e perdem a cabeça uns com os outros, de certeza que os filhos adolescentes não ajudam o suficiente, não fazem a cama, não vêm para a mesa, a comida a arrefecer, não levantam a mesa, a cozinha o Domingo todo por limpar, que preguiçosos, caem finalmente o Carmo e a Trindade, que tão precariamente se aguentaram a semana toda, e é o dilúvio de gritos e portas a bater comum a todos os fins-de-semana. A minha sugestão é que os vizinhos fossem comprar um frango assado, que não é caro e resolvia o problema. E sempre saíam um pouco e queimavam a adrenalina que depois dispendem a gritar.
Este post não resultou.
O outro post era sobre as pessoas que precisam tanto de receber elogios que arranjam estratagemas, muito mal disfarçados, para os solicitar, o que é constrangedor, tanto para quem é solicitado como para quem solicita. Por exemplo, no outro dia diziam-me o seguinte "se fosse outra pessoa fazia isto mais depressa, mas eu sou assim, gosto de fazer tudo bem, sou perfeccionista demais, não é, eu sei que é um defeito!, eu sei que é um defeito, mas eu sou assim, sou lenta, se calhar outra pessoa fazia mais depressa, eu sou perfeccionista...", e assim sucessivamente. Um cansaço. Sempre à espera que eu dissesse "não, não, como tu estás a fazer é que está bem! Assim é que é! Outra pessoa fazia à pressa e fazia mal, não, não, tu é que és a melhor". Mas não disse. Por acaso, costumo sempre aceder e dar o tal elogio que as pessoas estão à espera, não me custa, tanto me faz, não acredito em elogios, nunca penso nos elogios que dou, e se as pessoas são felizes assim, tanto melhor. Mas desta vez não dei e foi muito engraçado, porque a conversa morreu ali e eu não tive de mentir.
Este post também não resultou.
Nãotenho conseguido escrever.

2 comentários:

Margarida disse...

Uma pena... gostava mesmo que fizesses um post sobre essas pessoas que pedem pelo amor de deus um elogio vá lá vá lá...
E não és lenta... mas despacha-te.

(és um espectáculo. A sério. És o máximo! )

Vá, agora escreve...

(é que tenho mesmo curiosidade sobre essas pessoas, sabes? e acho mesmo que se podem fazer teorias, organigramas, teses e tudo e tudo e tudo)

Rita F. disse...

Eh, eh, não, não, eu não sou um espectáculo, eu não sou o máximo, eu?, não, que ideia, eu não, não digas isso, não, não... :)

Agora a sério, estas pessoas fascinam-me, também. Acho-as patéticas, e por isso despertam em mim uma atracção fatal. Também acho que há muito a dizer sobre este fenómeno do elogio, mas ainda não consigo bem pôr o dedo na ferida. Quando conseguir, volto a escrever sobre isso.