quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O duche

Devido a certos filmes e a uma certa cultura pop, tornou-se assim giro dividir as pessoas entre pessoas-cão e pessoas-gato, pessoas-Beatles e pessoas-Elvis, pessoas-manhã e pessoas-noite. Por mais redutoras que estas destrinças sejam, a verdade é que têm uma certa piada. No entanto, há aqui uma lacuna que me parece urgente colmatar e que se relaciona com a hora a que se toma duche. É que isto é absolutamente fundamental para definirmos o tipo de pessoa que temos à frente.
Ora, eu devo dizer que já me debrucei sobre este assunto no sentido de tentar compreender o que leva uma pessoa a ser uma pessoa-que-toma-duche-de-manhã ou pessoa-que-toma-duche-à-noite. E ainda não consegui chegar a nenhuma conclusão em especial, o que apenas espicaça o meu interesse por esta entusiasmante temática.
Vejamos. As pessoas com quem falei que gostam de tomar duche de manhã dizem que o fazem porque consideram pegajoso sair de casa e passar o dia fora a saber que, naquele dia, ainda não tomaram banho. Além disso, precisam de uma chuveirada para acordar, para dar energia, para cheirarem bem e começarem o dia de uma forma agradável e quentinha. Sem duche, amolecem, ficam sebáceos. Tudo isto é respeitável.
As pessoas que tomam duche à noite dizem que vestir o pijama e ir para cama a carregar, em camadas impossíveis de ignorar, a sujidade de um dia inteiro, é absolutamente inconcebível. Além disso, precisam de um duche quentinho para quebrar, precisam do sentimento de limpeza fresquinha para deixarem o corpo descontrair, amolecer, até pedir cama. Tudo se resume, de uma forma ou de outra, à moleza. O ser humano passa a vida ou a combater a moleza, ou a ser mole. É um drama que esta problemática do duche ilustra, daí que me parece ser absolutamente essencial conseguir definir as pessoas como duche-à-noite ou duche-de-manhã. Estas últimas serão provavelmente mais enérgicas e dinâmicas, tanto que se conseguem levantar mais cedo para terem tempo para a higiene; as primeiras privilegiam com certeza o conforto, a descontracção, os pequeninos e insignificantes prazeres da vida e querem lá saber do duche de manhã, preferindo mais uns minutinhos na sorna matinal e uma águinha quente à noite.
Todas as verdades que precisamos de saber sobre as pessoas estão nestas minúcias parvas da vida normal.

8 comentários:

Rui Almeida disse...

Quando vi o título pensei q ias falar do Mussolini. Afinal não.

Isabel disse...

Olha que este assunto já deu um debate muito aceso no nosso grupo de amigos, não és a única a questionar esta matéria.
Eu sou uma pessoa-que-toma-duche-à-noite, por todas as razões que apontaste. Excepto no Verão em que sou dois tipos de pessoa, sou pessoa-que-toma-duche-à-noite e sou pessoa-que-toma-duche-de-manhã. Há-o para todos os gostos.

Mónica disse...

E eu a pensar que toda a gente tomava SEMPRE duche de manhã E duche à noite (pelas razões que apontas a ambos). Naif...

Fado Alexandrino disse...

Um post DKNY (obrigado Lenor)que vai merecer toda a atenção.

Ora o que me trás aqui é "O sociólogo Boaventura Sousa Santos vai receber uma bolsa europeia, de 2,4 milhões de euros, para desenvolver um projecto na área das ciências sociais."

Aqui sim é que é uma limpeza.
Para que é que é tanto OMO?
Ora:

" "O conhecimento do mundo excede em muito o modo como a Europa o vê e a transformação social, política e institucional da Europa beneficiará bastante com a compreensão das inovações que estão a ocorrer em muitos países e regiões com quem a Europa tem relações de interdependência".

Com um bom toalhão marca Fátima Lopes (há no Colombo)de manhã à tarde ou à noite.

Drª taberneira disse...

eu sou uma mole. e tomo banho de manhã. nem me importava de tomar outro a noite só para dormir mais fresquinha/quentinha. mas dá-me preguiça, por isso fico só com o da manhã que chega bem ;)

Anónimo disse...

eu penso como a mónica...tomo de manhã e de noite!
susana

lenor disse...

:)))

Rita Martins disse...

E o que se dirá de uma pessoa que nao toma banho todos os dias por achar que ese hábito tem mais a ver com a cultura do que com a necessidade, além de ser bastante pouco ecológico? Pessoalmente acho essa questao muito mais pertinente...