segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Embirração da semana, deste ano, de anos passados e de anos vindouros: Anatomia de Grey

Há por aí alguém que goste de ver a Anatomia de Grey? E, se tal for o caso, talvez não se importe de elaborar porque é que gosta de ver esta coisa?
Eu já escrevi aqui que não gosto nada da série, e ainda hoje falava disso com uma amiga - parece uma coisa com diálogos lamechas e falsamente profundos a despachar, em que todas as personagens são absolutamente iguais, falam da mesma forma e têm os mesmos problemas. Mas também não sei, não consigo ver por mais de 5 minutos porque me aborrece. O problema principal aqui é o problema principal de qualquer outra série, filme ou livro que seja mau - às vezes, não estão mal escritos nem nada, mas são um tédio tão banal que é de uma pessoa se exasperar.
É que continuo a não perceber porque é que esta série tem tanto sucesso, e gostava de perceber porque normalmente costumo gostar de ver séries. Ultimamente, porém, e sem ser o True Blood cuja temporada também já acabou, não arranjo nada de jeito para visionar. Talvez a Anatomia de Grey atraia porque tem um tom de sentimentalidade (que, como disse, a mim me parece falsamente profundo) que faça as pessoas pensar que estão a ver qualquer coisa com algum tipo de significado. Como quando se escolhe ler a Profecia Celestina ou assim. Nesta altura de crise, deve saber bem ver umas quantas pessoas médicas que salvam vidas e ao mesmo tempo têm a mania que a própria vida é uma coisa intensa, na qual convém pensar muito e mais isto e mais aquilo. Talvez isto explique a audiência da série, não sei, e talvez também explique porque é que as personagens falam todas de forma semelhante, com os mesmos diálogos e as mesmas expressões. Mas onde estão os Sete Palmos de Terra, Os Sopranos, dos nossos tempos? Ai que saudade.
Ou talvez seja porque o médico de barba e olhos azuis é um actor que, enfim, digamos que trabalha muito bem. Dá gosto vê-lo a trabalhar. Deve ser mais por aí.

7 comentários:

Paloma disse...

sem elaborar, eu adoro! eheh =P (mas também desespero por uma nova série de True Blood)

Ana disse...

Eu recomendo estas duas: http://sound--vision.blogspot.com/2010/11/series-televisivas-as-regras-e-as.html

(é muito raro o João Lopes não ter razão).

Anónimo disse...

é isso e o outro médico moreno de olhos azuis...
tens que ver a Familia muito moderna, fox life, domingos, 22h15
susana

zozô disse...

A Anatomia é uma fórmula fácil, que mistura filosofia barata, o ritmo frenético de um grande hospital e gajos bons. Ou seja, perfeito para um certo público feminino. A mim, enjoa-me.

André Breton disse...

eu estava a ler

e li

" diálogogos lanchais"

sendo

imediatamente teletransportado para tardes amenas do princípio do século em que ia a entrevistas em Santarém e fumava um pós-porro nas casas-de-banho da estação do Oriente antes do alfa.

Rachelet disse...

E que tal o Mad Men (2, sextas, 22.40) ou o Skins (MTV, quintas, 21.50)?

Rita F. disse...

Também gosto do Mad Men, principalmente porque os cenários e o guarda-roupa são uma coisa excepcional, parece-me. O Skins gostei da 1ª temporada, depois deixei de ver.
De Uma Família muito Moderna também já ouvi dizer bem, mas ainda não consegui ver. O 30 Rock também me agrada, por exemplo, mas ando sempre a perder episódios e depois não me prendo à série. É um problema.
Obrigada pela referência ao texto de João Lopes - eu por acaso concordo com algo com que ele não concorda inteiramente, e que é a tal questão de as séries de televisão serem, muitíssimas vezes, muito mais arrojadas, interessantes e bem escritas do que maior parte do cinema actual (quer dizer, daquele cinema a que a maior parte de nós tem acesso). Para mim, Sete Palmos de Terra e Sopranos, por exemplo, enquanto passaram na TV, valiam por 10 ou 20 filmes que estavam em sala na altura.
E enfim, a conclusão que se retira é que manter diálogos lanchais deve ser efectivamente uma actividade interessantíssima e devia haver uma série sobre isso.