segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tshirt da Barbie


Hoje fiz uma coisa fundamental - inscrevi-me novamente num ginásio e fiquei lá para a primeira aula e tudo. Era de Pilates. Eu ouvi dizer que o Pilates faz diz que super-bem, bom para as costas, para a postura e tudo. Espero que seja verdade. Saí de lá rebentada, foi uma maçada. Agora estou a desfalecer, cheia de sono e muito cansada, tudo porque me mexi para aí durante uma hora.
Como já escrevi antes, aquilo que me aborrece nos ginásios, além das luzes artificiais, é a roupa foleira que se tem de usar, complementada por sapatos de ténis ainda mais foleiros. Portanto, e para combater este malefício, decidi que vou levar uns ténis giros e umas Tshirts que compensam o facto de serem tshirts por terem bonecos. A de hoje tinha a Barbie, a de amanhã há de ter talvez o Tom e Jerry. Sempre me sinto mais normal, se for vestida de uma forma que considero aceitável. Agora, andar de calça larga com Tshirt branca tipo lençol, eh pá, não dá, nem no ginásio nem em lado nenhum. Desilude, uma pessoa olha para o espelho e tem logo vontade de se ir embora, ainda para mais com o cabelo preso num rabo-de-cavalo todo parvalhão, com rosetas tipo habitante de Aldeia da Roupa Branca, Maria Papoila ou isso. Eu não sou adepta do ar saudável, muito menos de rabos-de-cavalo. Para mim, a palidez é o que se quer, de modo que o ginásio levanta entraves estéticos que contrariam o meu estilo de vida e que vou ter de aceitar com alguma dificuldade.
Acontece também que este ginásio em que me inscrevi é só de mulheres e, não é por nada, mas as mulheres são subtilmente lixadas. As instrutoras, daquelas despachadas que tratam toda a gente por tu, apresentaram-me às outras que lá andavam aos saltos. As mais sorridentes e mais simpáticas eram as mais velhotas, e mesmo assim. Um ar desconfiado, um meio sorriso por entre a Tshirt branca e a toalha desbotada, e pronto. É pena. Pus-me a pensar se não seria por causa da Tshirt da Barbie, que se calhar irrita as pessoas, mas não me parece que isso seja justificação. O mulherio tem tendência para se desfazer perante um qualquer homem, desde que seja simpático, e enrijecer-se para a batalha diante de uma qualquer mulher. Gostava de poder chegar a uma conclusão diferente, mas a verdade é que me é impossível.
A Germaine Greer (acho que era ela) escreveu uma vez que o problema das mulheres era a falta da consciência de classe. Qual proletariado, devíamos andar por aí unidas, solidárias, e não a esgatanhar no chão ou na cara umas das outras devido a ginásios ou pior, devido a homens, como uma vez vi acontecer no café (entra no café uma mulher perdida, vai ter com outra que lá estava a comer o seu lanche, e diz-lhe, "eu é que sou a mulher do não sei quantos! Já fui ao centro de saúde para ver se a encontrava e disseram-me que estava aqui", e insiste naquela conversa do estado civil até que a outra, assustada, paga a correr e vai-se embora, e a tal que era mulher do não sei quantos sempre atrás dela, já a puxar-lhe pelo braço e tudo. Desapareceram rua acima naquele espectáculo, portanto não sei que mais aconteceu).
Que cousa.

3 comentários:

Fado Alexandrino disse...

E gasta-se um dinheirão a encenar peças que já toda a gente viu e que no cinema foram vistas por dez paquetes cheios de outra gente (ás vezes a mesma).
Isto ( a cena do café) é que dava uma boa peça, tem tudo, amor, sexo, traição e com um bocadinho de sorte sangue o que levaria a entrar em cena as pessoas do bairro.

Uma nota, no ginásio onde ando (um dos melhores de Portugal) o Pilates é feito descalço.

Rita F. disse...

Também acho que a cena do café é preciosa, e é mesmo verdade.
No meu ginásio, Pilates é descalça ou com meias, mas antes disso há máquinas e coisas assim, e nas máquinas tem de se usar ténis. Ténis giros, que são um imperativo categórico. :)

Beatrix Kiddo disse...

estou a pensar ir para um desses só de mulheres, o que me convenceu é que são aulas de meia hora (quanto menos...) mas odeio ginásios :( só que as minhas costas odeiam que eu não ande no ginásio