segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Imperfeições.

Gosto de imperfeições. Acho que as imperfeições são ainda mais bonitas do que a perfeição, porque exigem atenção ao pormenor, exigem conhecimento atento de qualquer coisa ou de alguém.
Capelas Imperfeitas.
Dentes tortos.
Sinais.
Narizes grandes.
A Vénus de Milo sem braços.
Um olhar ligeiramente estrábico.
Cabelos quase espigados.
Pessoas quase gordas (gordura é formosura).
Singularidades de raparigas (louras ou não).
Corvos, desajeitados e anafados em terra, mas daquele negro brilhante quando voam.
A mão demasiadamente grande do discípulo à esquerda de Jesus Cristo, na Ceia em Emaús, de Caravaggio.
As unhas sujas de Baco, no quadro de Caravaggio.
Caravaggio é o pintor da imperfeição, para mim (eu, que sou assim super especialista em pintura). Adoro este indivíduo.


A imperfeição é mesmo uma perfeição, não é? Eu acho que sim.

3 comentários:

Conde-Lírios disse...

Fiquei com a sensação de tudo ter entendido imperfeitamente e imperfeitamento concordar, como num decalque imperfeito com a ideia do post.
Agora sinto-me um perfeito idiota por tão imperfeita ser a articulação do meu pensamento:)

Rita F. disse...

Conde-Lírios, eu achei o comentário uma perfeição. :)

José disse...

Adoro o Caravaggio, porque é muito sujo, numa época em que a pintura se queria limpinha. O que vai um pouco de encontro à tua ideia de perfeição e imperfeição.
Também sou um grande fã de narizes, mas tortos. Amo narizes tortos, acho uma delícia. Giro, também, falares nos olhares estrábicos, que também acho um piadão. Também prefiro pessoas baixinhas a pessoas altas, machos e fêmeas. Acho muito mais delicioso. E gente despenteada. Não há como gente despenteada.