quarta-feira, 2 de março de 2011

Banda da semana que não compreendo: os Coldplay

Devo desde já fazer uma declaração de interesse e dizer que: ponto um, gostei da primeira música que ouvi de Coldplay, Yellow, que pertencia ao primeiro álbum, e gostei até bastante; ponto dois, gostei de uma música que ouvi do segundo álbum, que era o In My Place, e com óbvia falta de discernimento, comprei o segundo CD desta banda. Em absoluta verdade, e chegamos ao ponto três, ouvi este CD duas vezes na vida, o que confirma a minha obtusidade.
A partir daqui, confessados que estão os embaraçosos pecadilhos, estou absolutamente à vontade para tecer e elaborar todas as críticas que eu quiser a esta banda, e são muitas; são muitas porque os Coldplay são a coisa mais entediante que eu alguma vez ouvi. É que são seca, seca, seca, seca, ainda por cima má seca - e o que é que me leva a não compreender esta banda? Não é o facto de serem uma seca, é o facto de conseguirem vender tanto. É que eu esperava que as pessoas tivessem um limite para o tédio que conseguem suportar, mas pelos vistos não, não têm limite nenhum.
Há bandas que se podem designar por "seca". Bandas que aborrecem, dão vontade de bocejar e  amolecer que nem lesma indolente. Eu não quero saber - digo já que, para mim, Dire Straits é essa banda. É que não consigo ouvir um acorde que seja que fico logo prontinha para  adormecer, e não me venham com o Brothers in Arms, ai que linda canção que é!, e o Romeo and Juliet, ai que bonito!, e o I want my MTV ou sei lá, não achas a canção engraçada?, e o Mark Knopfler na guitarra (bem, este homem a solo, então, meu Deus, sem comentários). Esta banda e estas canções são velhas, bem sei, portanto se calhar não contam. Mas vamos a mais exemplos - Norah Jones, outro tédio. Clássicos da guitarra, tipo Joe Satriani ou assim, outra seca. E, evidentemente, há outros exemplos que alguém mais douto do que eu conseguiria enumerar e bandas muito mais recentes e com muito hype à volta que também são um grande tédio, mas são bandas mais ou menos insignificantes. 
Porém, estes exemplos que eu acabei de enumerar têm uma diferença relativamente aos Coldplay, e essa diferença é qualitativa. É que, dentro da categoria de bandas-seca, há a má seca e a boa seca. Eu acho que a Norah Jones é seca, mas consigo compreender perfeitamente que a Norah Jones é melhor do que os Coldplay. É que estes últimos não têm nada que os salve, nada, nada - são feiosos (pelo menos, têm mau gosto para se vestir); não têm talento como músicos; têm a mania que são bonzinhos e queridinhos, o que, não diria "enfurece", mas irrita um bocadinho; não escrevem letras de jeito ("for some reason I can't explain/I know Saint Peter won't call my name" -  ? Tanto mais que alguém que sabe  de antemão que o S. Pedro não o vai chamar, terá com certeza uma ligeira ideiazinha do porquê, mas enfim, isto já é filosofia a mais; em termos de letras, a minha preferida é para aí o "lights will guide you home and ignite your bones". Pausa para rir. Não vale a pena ir mais longe, é só fazer uma busca no google de letras dos Coldplay e, basicamente, preparar uns minutinhos para aquele misto de riso e desprezo que só o que é verdadeiramente medíocre consegue provocar).  Tudo nos Coldplay serve um propósito, que é: irritar numa primeira fase, e entediar numa segunda fase. Prefiro uma banda que me irrite, apenas, porque ao menos distraio-me. 
De modo que, com tanta banda sem talento que há por aí, mas um bocadinho mais animada, não percebo bem porque é que as pessoas escolhem ouvir Coldplay e muito menos pagar bilhete para os ver ao vivo. Às vezes, há bandas que são muito medianazitas em estúdio, mas que depois ao vivo são um estrondo. Duvido que seja o caso de Coldplay, e não faço tenções de ir confirmar com os meus próprios olhos - mais facilmente ia ver isto:

O Yanni na Acrópole deve ter sido, no seu tempo, um espectáculo ao vivo muito composto, e sempre é na Acrópole, além de que, como facilmente se pode constatar, tem um veio trágico-cómico bem aceso, que é coisa que os Coldplay, no seu esforço (louvável, porque não) do politicamente correcto, não apresentam. Quer dizer, um veio trágico até apresentam, por acaso.
Enfim, são uma seca. Mas serviram para eu me entreter a escrever isto, portanto presumo que lhes deva dirigir o meu bem-haja. No entanto, agora não me está a apetecer, fica para a próxima.

9 comentários:

Jamil S.P. disse...

Até hoje nunca ouvi Coldplay, acredita? Que estilo é, grunge?

Gosto de Ramones e Cat Power. :o)

Inês disse...

Lembro-me que qd apareceram fiquei curiosa e até os ouvia mais ou menos bem.
Desde aí...acho-os terrivelmente aborrecidos e overated...

LN disse...

Os Coldplay são bons no que fazem: música medíocre. Percebes? São aquela categoria de bandas medíocres mas boas. Boas medíocres. Digamos que é um medíocre +. Se os gajos não tivessem talento nenhum eram, quando muito, uma banda de covers ou assim. Eles são competentes.

Fado Alexandrino disse...

Um belo post sobre um assunto de que nada percebo pois nunca ouvi (bem talvez na Rádio Capital) esse tal grupo.
Mas lá pelo meio fala-se de um outro senhor e ele encarregou-me (como representante ibérico) de a informar que é dele a fabulosa banda sonora de Local Hero que deverá ver ainda por cima tendo o Burt Lancaster.

Sobre música que é um assunto espantoso só de pensar que Mozart tinha exactamente as mesmas notas para trabalhar que esse tal Frio a Trabalhar sugiro para desenjoar cinco ou seis cd's do Miles Davis.
A Norah pode não cantar bem, e canta, mas encanta e de que maneira.

Tolan disse...

A única música de Coldplay de que eu gostava era o Speed of sound mas depois apercebi-me que a melodia principal era afinal do Computer Love dos Kraftwerk :D (mas que eles usaram com autorização)

Estrela disse...

Assino por baixo!

iggy Pop disse...

Boa posta. Alguém tinha que dizer isso.

Rafa disse...

Olá.
Não concordo nada com este post (que raio de primeiro comentário que faço no teu blogue), mas gostei imenso do texto e da tua argumentação. Vejo os Coldplay como uma espécie de Pet Shop Boys, versão século XXI e versão melancólica. Há ali qualquer coisa na sonoridade dos rapazes que me relembra os PSB. Simpatizo com o Chris Martin, embora não saiba como ele foi casar com a pessoa mais sem sal do mundo (menina Paltrow) a seguir à Kirsten Dunst.
Mas estou contente com o teu post. :)

Anónimo disse...

rriitaaa,

o que é feito de ti, rapariga?


maria v