quarta-feira, 25 de abril de 2012

"Respeita!"

Detesto quando me dizem "respeita". Respeitar o quê? Opiniões que não têm nada que ser respeitadas? Se eu tiver a desgraça de conhecer um neo-nazi, tenho de respeitar a opinião dele? Ou tenho apenas de respeitar, forçosamente, o ser humano que ele (lamentavelmente) é?
A minha querida D., que é um baluarte de sensatez e meiguice, está sempre a dizer-me isso. "Ai, que horror, respeita!". Por acaso, a última vez que me disse isto, estávamos a tomar café num estabelecimento com televisão ligada na VH1, e começou a passar aquela música do Time of My Life, do famigerado Dirty Dancing,  sobre o qual, acaso dos acasos, já escrevi aqui e já anunciei que não é película que me entusiasme.
Acontece que a D. adora este filme, da mesma forma que eu gosto de outras bodegas que me fazem lembrar a juventude. Se eu a deixasse, a D. tinha começado a dançar logo ali no meio do café, e para a próxima até a incentivo, porque a D. dança bem como tudo. Mas, naquele preciso momento, não o fiz, e comecei a discursar, "ó D., como é que tu gostas deste filme, olha para este velho que está a cantar a canção, explica-me quem é este velho, nem o vídeo da canção se aproveita, olha para a rapariga a passar férias no Inatel" e blá blá blá, até que a D., fartíssima de me ouvir, exclamou, exasperada, "olha, respeita!".
Respeita. Respeita. O Dirty Dancing? Lamento, mas não.
Eu tento respeitar toda a gente. Mas não faço esforço nenhum para respeitar opiniões que me parecem obtusas (já não estou a falar do Dirty Dancing, bem entendido). Quando leio os comentários do Público (sei que tenho de deixar de o fazer) a aplaudir decisões como cortar  o orçamento para a Cultura, porque "não temos dinheiro", ou a insultar os Gregos, que têm a culpa de tudo o que está a acontecer à Europa, ou mais recentemente, quando ouvi na rádio um senhor emigrante, português, que tinha um cafezinho, ia receber a visita da Marine Le Pen (!) e estava orgulhosíssimo porque ela não estava contra ele, emigrante trabalhador, estava, sim, contra todos os emigrantes preguiçosos, e contra eles também se indignava o tal senhor, dizia, quando sou confrontada com tudo isto, tenho de "respeitar"?
Pois, não me parece. É a minha opinião. Respeitem. 

Nota para fazer justiça à minha querida D. - a música até é gira. 

25 de Abril

Que nunca nos tirem este feriado. Se nos quiserem tirar, que consigamos ir para a rua, como a poesia.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Eu queixo-me de insónias

Já percebi que a melhor maneira de a pessoa aprender uma data de História (literalmente aprender "uma data" de História, ahah! Não resisti à piadola foleira) é ler sobre crime cometido numa determinada época. É uma premissa que, não deixando de ser premissa, me parece muito verdadeira.
 Eu aprendi imenso sobre a história de Londres, uma cidade de que gosto muito e que conheço relativamente bem, devido a tudo o que li sobre o Jack o Estripador e, mais recentemente, com este livro da PD James que ainda estou a ler, The Maul and the Pear Tree. Pode ser mórbido, e é, mas é muito interessante. No entanto, e devido à natureza do crime cometido, tenho de admitir que me dá muita volta ao pobre estômago.
Ultimamente tenho tido pesadelos. É desagradável.
A Amazon uk diz:

In 1811 John Williams was buried with a stake in his heart. Was he the notorious East End killer or his eighth victim in the bizarre and shocking Ratcliffe Highway Murders? In this vivid and gripping reconstruction P. D. James and T. A. Critchley draw on public records, newspaper clippings and hitherto unpublished sources, expertly sifting the evidence to shed new light on this infamous Wapping mystery. '

Coisa que (não) compreendo: as várias designações para café nas pastelarias portuguesas, mormente "abatanado"

É uma coisa que não compreendo, mas que gostava de compreender. Não compreendo devido à minha ignorância. Há tanta forma de pedir e servir café neste país que não evito uma imensa fascinação por esse mundo ignoto, pelo menos para mim. 
Abatanado. Já me explicaram o que é, mas eu esqueço-me sempre. A minha mente rejeita este conceito, não sei porquê. Acho que nunca hei-de saber o que isto é, o que lamentavelmente também significa que nunca vou poder pedir o tal "abatanado" num café. Também há o problema de a palavra "abatanado" me fazer rir. Parece que estou a contar uma anedota ao senhor do café em vez de lhe estar a pedir qualquer coisa. Enfim, continuando. 
Meia de leite e suas variedades.
Meia de leite directa. 
Meia de leite de máquina. 
Meia de leite clara. 
Meia de leite escura.
Carioca. 
Bica.
O singelo "café". 
Café curto.
Italiana (acho que é o mesmo que café curto).
Café pingado.
Galão. 
Galão escuro.
O meu preferido, e este desconheço de todo o que seja, é o café "sem princípio". Desconheço, mas parece-me uma possibilidade maravilhosa e sofisticadíssima poder ir a um cafézinho (estabelecimento, entenda-se) e pedir um café "sem princípio".
É por isso, pela possibilidade misteriosa de o abatanado e do café sem princípio, que eu ainda gosto de viver parcialmente em Portugal, apesar de tudo o resto. 
Um país abatanado é um país com futuro.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A basezinha

A BBC está a transmitir um programa muito interessante sobre os espiões da actualidade no Reino Unido. Dão conta das dificuldades da profissão mas também da forma como, muitas vezes, a espionagem comete erros fatais e desrespeita a privacidade, e até a vida, de pessoas que são perfeitamente inocentes (mais ou menos como, nos aeroportos, escolher um óbvio muçulmano para revistar a bagagem "ao acaso", ou, há umas décadas, irlandeses. Por acaso, tenho uma amiga de Belfast que me disse que isso lhe estava sempre a acontecer, mas cá para mim o facto de ela ser giríssima, alta, olhos verdes e cabelo preto - perdão: "asa de corvo", para dar qualidade literária ao verbo - contribuía mais para o apetite das alfândegas do que outra coisa. Mas continuando).
Ora, é evidente que um programa sobre espionagem realizado no Reino Unido tinha de, mais tarde ou mais cedo, mencionar, ainda que por alto, o IRA. Ah e tal, o IRA representa ainda um problema muito grande "no que concerne" ao terrorismo, com tendência para fazer explodir coisas, disse há pouco um espião (assim todo tapado, não se vê a cara e a voz é de um actor). Justiça seja feita à BBC, que se preocupou mais em perceber se estes espiões eram espúrios nas violações de privacidade que cometiam ou se tinham alguma razão que se justificasse. Muitas vezes, tinham. Outras vezes, não tinham.
Da Irlanda do Norte, não se falou mais. Ou seja, o incauto, ou distraído, espectador confirma apenas aquela ideia repetida e banal de que terrorismo na Irlanda do Norte é IRA (e longe de mim vir aqui dizer que não é verdade. Como todas as verdades, esta é contada de uma forma, digamos que, peculiar. Digamos que, parcial).
Tive muita pena, principalmente porque estou a assistir um programa feito por britânicos e que passa na Grã-Bretanha, que não se tenha referido o problema do terrorismo causado pelas UVFs, as forças paramilitares unionistas, que, mais uma vez "no que concerne" a matar gente, são tão prolíferos como o IRA. Se por acaso estou enganada e não são, é apenas porque não conseguem. Pelos vistos, os espiões britânicos preocupam-se com o grande potencial terrorista do IRA, mas parece que a UVF já foi apaziguada, e dali já nada há a recear. Está benzinho. Posso apenas esperar e desejar que tenham razão, pois, como diziam os Gato Fedorento, "eles lá dentro sabem", ao passo que eu só sei que nada sei.
Queria rematar com uma coisa que li escrita por um linguista de que gosto muito, Norman Fairclough, e que escreve bastante sobre a forma como o uso da linguagem é uma subtil, poderosíssima forma de dominação, que determina como vemos o mundo e, ainda mais importante, o nosso papel nesse mundo. E Fairclough diz qualquer coisa como "nós chamamos-lhes terroristas, e para outros eles são 'freedom fighters'" (a ideia é esta, não estou a citar palavra por palavra). Será isto apenas uma questão de nomes, de mera designação linguístca? Não. São visões diferentes do mesmo mundo  - e, por essa razão, realidades absolutamente diferentes do mesmo mundo. Paradoxalmente.
E por isto é que ninguém se entende. É como diz o Eça, "o latim é a base, é a basezinha". Quando falamos latins diferentes, vivemos em mundos diferentes. Falta-nos o verbo, a basezinha, e falta-nos tudo.

terça-feira, 3 de abril de 2012

A quem tem twitter...

... aquilo serve para alguma coisa?

(pergunto depois de ter lido este post e esta notícia sobre um episódio bizarro que se passou no twitter).

quinta-feira, 29 de março de 2012

É que não há hipótese

No outro dia, estava a dar o Reality Bites na televisão, e lá fiquei eu especada a ver. Este homem, para mim, é um íman. Pronto, entre mim e ele há uma grande barreira que é um écrã de televisão ou cinema, mas fora isso, é um íman. Ainda por cima, no Reality Bites ele faz de cínico adorável e filosófo, tão pretensioso, e eu em vez de me irritar continuo a adorar como no primeiro dia, principalmente quando ele olha directamente para a câmara e diz "nobody can eat fifty eggs". Tão pretensiosozinho, tão fofinho. Ai, ai.



Doidas, doidas, doidas andavam as galinhas

Eu conheci a C. há dez anos. Éramos duas galinhas malucas, sem mais nada que fazer do que calcorrear a pequena cidade onde vivíamos, falar do curso que estávamos a tirar e trocar canções, livros, cds, dvds, batons, pulseiras, roupa, ganchos para o cabelo, chapéu. Falávamos dos namorados que tínhamos, que queríamos ter, que havíamos tido, e de que como eram todos uns parvos e nós mais parvas ainda por gostarmos deles, e ríamos por causa disto. Falávamos de como era bom estar ali, naquela pequena cidade por onde percorríamos todas as ruas, de como era bom não ter mais nada que fazer se não estudar, eu queixava-me de ter de escrever os mini-trabalhos para Sintaxe, que detestava, e a C. ajudava-me, ela que era, e ainda é, um ás na Sintaxe, uma chomskyana irredutível e competentíssima. Em compensação, eu conseguia ser ligeiramente melhor a Fonologia, e tentava ajudar a C. por aí. E entendíamo-nos bem.
A C. fumava muito e eu pedia-lhe sempre para nunca deixar de fumar, porque ela fumava tão bem, parecia uma versão mais nova e morena das starlets dos anos 40. A C. ria-se e dizia que gostava muito da teatralidade do cigarro. Ao fim da tarde tomávamos café, ou íamos ao inenarrável "pub" e olhávamos para os caloiros entretidos no "pub crawl", perdidos de bêbedos, mas sempre muito educadinhos. Surpreendentemente. E ríamos e ríamos e falávamos do Pulp Fiction e atirávamos as falas uma à outra, eu imitava a vozinha irritante e doce da Maria de Medeiros, "whose motorcycle is this", depois a voz mais despachada do Bruce Willis, "it's a chopper, baby", "whose chopper is this", "Zed's dead, baby, Zed's dead", e esta era a minha fala, e a da C. era "I say god damn, god damn, god damn", e esfregava o nariz da forma elegante como a Uma Thurman o fazia depois de inspirar a cocaína. É claro que a C. não tinha nenhuma cocaína, aquilo era tudo a brincar.
E, nessa altura, quando éramos assim, tudo o que conhecíamos e queríamos resumia-se àquilo, a filmes de que gostávamos, a música, a tudo o que não tinha importância, e às vezes o Corto Maltese pegava na guitarra e começava a tocar, a C. cantava e eu ficava ali a olhar para eles, a aplaudir secretamente, encantada.
Era, portanto, como a música do Paulo de Carvalho, mas sem a parte da "Nini" - eles cantavam uma música só para mim e eu olhava, olhava.
E desde então é só recordar. A C. é respeitabilíssima, e esperançosamente eu também, e já não cantamos no meio da rua nem nada. A C. vai-se casar e tudo, e eu acredito no casamento, a sério que sim, quer dizer - é o pior dos estados à excepção de todos os outros e é quase inevitável. Não nascemos para estar sozinhos. Mas também é o fim de uma era. Não vale a pena pensar que ainda podemos fazer isto ou aquilo, porque não podemos. Acho que quando a vida se compõe e a pessoa se casa ou tem filhos ou, sei lá, de uma forma ou de outra se acalma, há muitas portas que se abrem e é um momento feliz. Mas fecha-se definitivamente a porta a tantas outras coisas, coisas que passam a ficar só, apenas e só, na nossa memória. E nada disto é mau - é assim, apenas. 
Bom. Hoje estou melancólica. Acontece.
I say god damn.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Coisa que não compreendo: porque é que a Hellman's se passou a chamar Vianeza

Eu gostava muito da Hellman's, verdadeira maionese, mas agora que se chama Vianeza, sinceramente, penso que mais vale comprar Calvé ou maionese Pingo Doce, apesar de serem claramente inferiores à Hellman's. É que Vianeza parece nome de gelado, faz-me confusão abrir um frasco de maionese e olhar para o creme branco quando sei que o frasco diz "Vianeza", já que o creme branco parece gelado e fico sem saber o que esperar do paladar, se doce, se salgado, se a gelado, se a maionese e enfim, fico com o apetite estragado e é uma arrelia.
De certeza que a Hellman's paga fortunas a uns tipos do marketing super-espertos que aconselham a estas mudanças de nome, e não sei o que lhes passou pela cabeça para ignorarem a óbvia semelhança entre "Vianeza" e "Vianeta". É que, quer dizer, é uma mísera consoante de diferença, o que não é nada. Na prática, é o mesmíssimo nome.
Era como aquele chocolate chamado "Dove", que nem era mau chocolate, mas eu não o consumia porque me sabia sempre a sabonete. 
Um nome diz muita coisa. Pois é.

Cheira bem, cheira a Lisboa

Esta notícia é de uma idiotice tal que não resisti a vir aqui ao blogue anunciar a referida idiotice. Por onde começar? Desde o pai que, aparentemente, não tem nada de melhor para fazer, nem assuntos relativos à educação do filho mais prementes em que pensar, do que uma canção que este aprendeu na escola de apoio ao Benfica; até à indignação ridícula do FCP. E digo ridícula porque as expressões que os representantes do clube utilizaram ("professora ayatollah", "fascistas do gosto", "proselitismo") obrigam-me a chegar a uma conclusão digamos que bifurcada: ou estes senhores do FCP têm um profundo e indesculpável desrespeito por situações de efectivo proselitismo e fascismo, o que é provável, ou pura e simplesmente precisam de consultar mais vezes (uma só vez já chegava) um dicionariozito da língua portuguesa, para aprenderem o que as palavras que utilizaram querem de facto dizer. Também se pode dar o caso, e é esta uma hipótese que me ocorreu agora mas que é tão plausível que nem sei por que não me lembrei dela antes, de serem tão irredutivelmente obtusos que nem um dicionário os salve. 
Há uns largos anos, a Madona quis que o Papa lhe baptizasse a filha. Nuym rasgo de lucidez e sensatez, qual Cristiano Ronaldo ("pens'queeee revelei lucidez, sensatez"), a Santa Sé respondeu, e bem, que Sua Santidade estava ocupada com assuntos bem mais importantes. Espero que a resposta do Ministério de Educação a este caso seja mais ou menos a mesma.
Quando eu era pequena, também se cantava, em todas as visitas de estudo organizadas pela escola, " cheira bem, cheira a Lisboa, cheira mal, a Portugal". Isto parece-me bem mais grave e sério do que cantar "viva o Benfica". E porém, passaram-se mais de vinte anos e nem eu nem ninguém da minha geração se tornou terrorista, pelo contrário, trabalham e pagam impostos, que é mais do que se pode dizer da geração anterior (de alguns). 
É verdade que a minha posição é fácil de atacar, já que nunca escondi que sou do Benfica. Mas, sinceramente, pens'queee sou de grande imparcialidade "no que concerne" a este assunto do atirei-o-pau-ao-gato-viva-o-benfica, e isto porque tento imaginar o que faria se um filho meu entrasse em casa a gritar "viva o fê cê pê". Queixava-me ao Ministério da Educação? Não me parece. Diria apenas à criança, "deixa lá, filho, que isso passa". 

segunda-feira, 19 de março de 2012

Descobri no fb e concordo com tudinho. Frank Zappa sabia.




Muita civilização

Pois é, venho por este meio dizer que fico muito contente por saber que nem tudo está podre no reino da Dinamarca, aka Portugal, e que há coisas que se passam cá que são de uma civilização tal que não podemos deixar de nos comprazer com isso.
E refiro-me concretamente a uma instituiçãozinha da máxima importância: Lusocord. O banco público de sangue de cordão umbilical, preparado para fazer a recolha em todos os hospitais do país, gratuitamente, e que desenvolve investigação em células estaminais para, esperançosamente, salvar vidas. Comparemos esta elegante situação com a pobrezinha Inglaterra, que tem umas recolhazitas que não se alargam, nem de perto nem de longe, a todos os hospitais do país. Se nós conseguimos, não se percebe como é que eles não conseguem. Mas enfim, isso são assuntos lá deles, "para inglês ver", como muito bem se aplica aqui. Ah, ah. Não resisti à piadola.
A única coisa que me custa nisto tudo é ver, em hospitais e centros de saúde públicos, publicidade a empresas de recolha privadas, que pedem milhares de euros por uma "seguro de vida" que tem 0,03% de probabibilidades de sucesso (não sei se os números são estes, sei que são efectivamente muito baixos), enquanto que o trabalho do digníssimo Lusocord passa quase alegremente (tristemente) despercebido. É claro que toda a gente diz "ah, mas qualquer probabilidade é uma possibilidade!", e tal e tal, e com certeza   que sim, mas a verdade é que vejo nestas empresas mais ganância e vontade de fazer dinheiro do que vontade de salvar vidas. O Lusocord tem as células à disposição de quem delas precisa e consequentemente, quanto a mim, a doação ao Lusocord é a opção que faz sentido. Mas enfim, cada um é como cada qual e não se pode brincar nem minimizar as vulnerabilidades, receios e sensibilidades de cada mãe e pai. Que façam aquilo que a consciência dita.
A minha dita o Lusocord.
Era só isto.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Resposta pronta

Num filme de que gosto muuuuuuuuuuuuuuuuuuito, High Fidelity, com um actor de que gosto muuuuuuuuuuuito, John Cusack, há uma cena em que este último tem de se confrontar com o namorado actual da ex-namorada, isto é: neste filme, o John Cusack tem uma loja de discos e uma namorada, Laura, que acaba com ele e vai viver com um tipo todo piroso que usava anéis (papel desempenhado pelo Tim Robbins, sempre irrepreensível em tudo o que faz). Este namorado piroso, agastado pelo facto de John Cusack estar sempre a  telefonar à ex-namorada, decide ir à loja de discos do mesmo John Cusack e pedir-lhe, de uma forma toda zen e parva, que ele acabe com a perseguição. Quando John Cusack o vê, fica fora de si, e o que se segue são três diferentes formas hipotéticas de como ele poderia lidar com o caso: insulta o homem, expulsa-o da loja, ou atira-lhe com uma televisão à cabeça. É uma cena linda de ver, por acaso, e das minhas preferidas do filme. E assim ficaria John Cusack esplendorosamente vingado.
Acontece que isto é apenas hipotético. Na realidade, John Cusack ouve o que o outro lhe tem a dizer, diz "está bem" e o Tim Robbins vai-se embora tranquilamente, com as integridades física e moral intactas.
Sempre gostei deste pequeno episódio porque infelizmente se assemelha ao que nos acontece na vida real. Pelo menos, a mim, acontece. As pessoas estão sempre a dizer-me coisas parvas ou com as quais não concordo e nunca consigo responder da forma que eu acho que elas mereciam, assim do estilo "esteja mas é calada, pá". Acontece às vezes chegar a casa e pensar que devia mesmo ter respondido "esteja mas é calada/o, pá". 
Não o faço, porque por um lado a sinceridade traz chatice, e por outro lado a sociedade baseia-se na mentira bem-educada, se não estávamos bem arranjados. Mas isso não que impede que eu simpatize com a situação do John Cusack e não queira, de vez em quando, atirar televisões à cabeça de certas pessoas. Embora, com toda a probabilidade, eu não conseguisse "acartar" (lindíssimo verbo) com a televisão.


Correcção: afinal não é uma televisão, é um amplificador ou assim. De qualquer forma, penso que também não conseguiria acartá-lo.

O dedo

O meu dia começou bem, com um apontamento de humor. Fui ao supermercado e deparei-me com esta esplêndida capa:



A questão que gostaria de levantar é: quem é que teve a ideia de uma coisa assim, o olhar sensível, o meio sorriso e o dedinho meio pensativo, meio indagador? O pormenor do dedo é coisa de classe. Pergunto-me se terá sido o António José Seguro a lembrar-se desta pose, ou se terá sido aconselhado a isso. Qualquer das respostas é igualmente assustadora, julgo.
Com uma foto desta qualidade, a leitura do livro é perfeitamente dispensável. O dedinho já diz tudo.
Ai, ai. Suspiro. 
Mas quem é que teve a ideia de uma capa destas? Estão mesmo à espera que se leve o dedinho a sério? Estas questões vão atormentar-me (e provavelmente fazer-me rir) para o resto do dia.

segunda-feira, 12 de março de 2012


Infelizmente, já li hoje muita m*****, mas o que se segue deixou-me à beira do colapso:


Nada neste mundo é normal. A violência que se passa na Síria faz-me ter medo de abrir sequer os sites dos jornais online costumeiros. E, como se constata, a violência e a falta de respeito estão em todo o lado, à descarada.

domingo, 11 de março de 2012

Ninguém se chama "Baby"

Quando vi o Dirty Dancing, tinha já 17 anos. O filme já era antigo nessa altura - gostava de esclarecer este aspecto. 
Continuando. Venho por este meio dizer que este filme é uma bodega e não quero saber. A miúda tem o nariz torto e o Patrick Swayze faz o que pode, dança bem, mas enfim, já no Ghost é uma seca e aqui também. E depois a própria história é seca, é a miúda a aprender a dançar enquanto passa férias no Inatel. E que idade é que ela tem para ainda andar de férias atracada à família? Oh pá, que vá fazer o inter-rail, sei lá. 
Mas o que me faz mesmo, mesmo não gostar deste filme é o nome da rapariga. Baby. Baby. Sei que agora toda a gente caçoa disto e diz "no one puts Baby in the corner", mas não deixa de ser muito parvo. Baby.
Se a miúda tivesse outro nome qualquer, mais normal, talvez o filme se conseguisse ver. Assim, não.
Peço desculpa a quem gosta do filme, a sério que sim. Eu também gosto de milhentos filmes parvos e anódinos, para compensar o facto de não gostar deste. Olha o Príncipe em Nova Iorque do Eddie Murphy. Adoro este filme e não é grande coisa, de modo que assim me redimo. 
Boa noitinha, sim?

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Isto é que são descrições realistas de filmes

O que tenho a dizer sobre os Oscars está aqui. Os meus filmes favoritos são:


Seguido de:


Sem esquecer este outro magnífico:


Ah, ah, ah, ah! O "Analyse Dat Ass" também vale muito a pena.
Um pequeno apontamento de humor. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oscars - alguns comentários

Eu tento ver os Oscars todos os anos. Adormeço sempre, não sem antes me irritar com as escolhas da chamada "Academia", que escolhe sempre tudo ao contrário daquilo que eu acho. E há exemplos clássicos disso - o Citizen Kane não ganhou Oscar de Melhor Filme;  o Crash ganhou ao Brokeback Mountain (! - esta foi das poucas vezes que fiquei até ao fim a ver e fiquei fora de mim); A Halle Berry e a Gwyneth Platrow também já ganharam Oscars (mais uma vez -!), e por aí fora. 
Bom. É interessante pensar quem é, afinal, esta "Academia" e porque é que tanta gente, inclusive eu, presta tanta atenção às escolhas que faz. Descobri, por exemplo, que o Lorenzo Lamas faz parte da Academia e vota. Palavras para quê, não é (a propósito, confirmar artigo interessante aqui, que explica quem são afinal estes indivíduos da Academia. Uma massa multicultural e multiétnica, como se verifica).
No que me diz respeito, penso que ainda sigo os Oscars porque não resisto ao espectáculo de encher o olho que os americanos fazem na perfeição e que, fraca que sou, me cativa por completo. A passadeira vermelha, os vestidos, aqueles actores todos, uns de que gosto verdadeiramente, outros que apenas considero esteticamente aprazíveis e isso também é respeitável, e depois a excitação de abrir o envelope, and the Oscar goes to, e aquelas músicas todas épicas, e depois as pessoas choram e agradecem ao marido ou à mulher e é tão romântico, e pronto. É bonito. Enfim, gosto. Lembro-me de que uma vez a Whoopi Goldberg apresentou os Oscars e disse, no final, qualquer coisa como "estou a a falar para o menino que está a ver a cerimónia e a pensar "qualquer dia, uma daquelas estatuetas será minha". Depois fez uma pausa, apontou para a câmara e rematou "kid, you'd better believe it". Neste tipo de épica, não há quem suplante os americanos, de facto. E portanto tudo isto é um espectáculo que eu aprecio, além de também apreciar cinema americano. Já se sabe que não é o único cinema que existe, mas é evidente que consegue produzir coisas muito boas (a par de grandes porcarias, mas isso já se sabe).
O que já não aprecio tanto são as escolhas da tal "Academia" e o "hype" (brrrr, palavra feia) que criam em torno de certos filmes. Vou ser completamente injusta e começar pelo Artista - sou injusta porque não vi este filme até ao fim e não o vi no cinema. Um filme destes tem absolutamente de ser visto no cinema. Mas ignorando estes dois factores, o que vi do Artista não me seduziu assim muito. Tem imagens bonitas? Tem, mas quer dizer, os filmes mudos originais são mais bonitos (alguns, pelo menos). A história não me pareceu grande coisa (não vi até ao fim, repito), porque o excerto que vi me parecia uma narrativazita banal, tipo comédia romântica de Domingo à tarde. O actor principal também não me cativou. Estava a pensar num actor subtil e pareceu-me apenas exagerado, e a câmara obcecada em registar-lhe todos os sorrisos, todos os olhares descaradamente. Enfim, não gostei muito, e a não ser que tenha oportunidade de o ver como deve ser, no cinema, não me parece que vá tentar ver outra vez. Peço desculpa a quem gostou do filme, porque eu de facto não vi até ao fim. São comentários com base apenas no excerto que visionei. 
Isto para dizer o quê? Que ainda a procissão vai no adro e já o Artista é dado como vencedor, e provavelmente será. É um exercício engraçado, não duvido, mas não é a salvaçao do cinema, "ai, não precisamos de filmes em 3D para apreciar cinema!". Não, realmente não. Também não sei é se precisamos do Artista, mas enfim.
E todo este post se justifica porque o filme que eu gostava de ver a arrasar completamente é este, e nem sequer foi nomeado:



Estilizado ao máximo, propositadamente estilizado, até, elegante, muito giro. Eu próprio sou vítima do tal "hype", que também não prejudicou este Drive. Não foi nomeado, mas tem já uma legião de seguidores.
No fundo, os Oscars são de facto uma celebração da festarola que um certo tipo de cinema é. Não há nada de mal nisso, especialmente quando filmes merecedores ganham Oscars. Também não há nada de necessariamente bom. 
Mas enfim. Isto é só converseta. Amanhã lá estarei eu muito irritada a ver a "cerimónia".

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

As convenções de género do filme de terror estão cá todas

Este ano, já vi pelo menos um filme de terror daqueles tradicional:
- cenas de sadismo e tortura
 - objectificação do corpo humano, mormente rostos macilentos, nódoas negras, ossos a chocalhar, olhos cadavéricos e vazios
 - consequências sangrentas e massacrantes da gravidez não planeada, nomeadamente trabalhos de parto com cesarianas a sangue frio e sangue a rodos
- pormenores macabros como uma mulher grávida a beber sangue humano e a dizer "hmmmmmm", labendo os lábios, deliciada
- noite de núpcias com claras fantasias de violação
Um filme de terror série ZZZZZZZZ, portanto.