
Para mim, o Mundial é.
Para mim, o mundial é o México 86, o mundo unido num balón.
E beber Milo de manhã. Ainda se vende Milo no Chipre (talvez se venda noutros países, mas vi à venda no Chipre e comprei 300 latas. Não sabia ao mesmo. Foi uma desilusão).
E o Micha dos Jogos Olímpicos.
E, ao jantar, engolir uma colherada de um líquido verde e amargo, que era para abrir o apetite. Abriu de tal forma que o apetite dura até hoje.
E ir andar de bicicleta no passeio à frente de casa, pedalar, pedalar, pedalar até conseguir deixar de andar com rodinhas.
E ler o General Dourakine da Condessa de Ségur e ficar muito impressionada com o feudalismo russo e com tanta chicotada. Tudo corrido à chicotada. Já escrevi antes que a Condessa de Ségur era uma sádica. Maluca.
Ver o Sítio do Picapau Amarelo e adorar a Emília e o Sassi Pê-rê-rê (não sei se é assim que se escreve) e sentir pavor, terror até, daquele óbvio boneco que para mim era um verdadeiro crocodilo de cabeleira, dentes arreganhados e garras ameaçadoras, chamado Cuca.
Ver o Sítio do Picapau Amarelo e adorar a Emília e o Sassi Pê-rê-rê (não sei se é assim que se escreve) e sentir pavor, terror até, daquele óbvio boneco que para mim era um verdadeiro crocodilo de cabeleira, dentes arreganhados e garras ameaçadoras, chamado Cuca.
E ver as Irmãs Bronte, as minhas irmãs Bronte, do Techiné e achar que a Isabelle Adjani era linda (e é). Ainda hoje, a Emily Bronte tem, para mim, a cara de Adjani. No filme, veste-se de homem e apanha tuberculose quando experimenta um casaco do falecido irmão Branwell. Começa a tossir, a tossir, a tossir e tem de se sentar na cama vazia e desconsolada, os cabelos pretos e longos a cobrirem-lhe a cara afogueada. Ao ver esta cena, o meu sonho passou a ser ter ataques de tosse assim, que me obrigassem a sentar-me na cama daquela forma derreada, dramática, romântica. Ainda não aconteceu, o que, hoje em dia, me parece claramente vantajoso.
Pois, e tudo isto era a propósito do Mundial. Para mim, o Mundial é.
Ir brincar à apanhada depois do jantar, se não estivesse a chover, ou andar de bicicleta, ou ir ao poço dar à manivela para de lá sair água.
Fugir dos cães. Havia sempre tanto cão, quando eu era pequena, e eu sempre convencida que eles me queriam morder.
Ver o Amor de Perdição e a cara pálida, sugada, da Teresa, que repete o nome de Simão. De arrasar, especialmente aos olhos de uma criança.
Ouvir a Balada da Rita do Sérgio Godinho e ficar aflita - mas isto é para mim? Sempre agradeci os conselhos. Deve ser por isso que, ainda hoje, gosto tanto do Sérgio.
Uma vez, estar a brincar com amigos, olhar para o céu e ver umas luzes. Ficámos a pensar que eram ovnis. Fomos a correr dizer aos respectivos pais. Ninguém acreditou em nós. Disseram-nos "agora vamos para casa, vamos tomar banho e beber leite quentinho. Não viram nada ovnis". Foi mesmo isto que nos disseram - beber leite quentinho, tomar banhinho, inho, inho. Não há ovnis. Mas que nós vimos, vimos.
O que é certo é que nunca por nunca voltei a ver ovnis. Já não há luzes nos céu, como cantava o outro (ou seriam estrelas. Sei lá. O que é que interessa).Fugir dos cães. Havia sempre tanto cão, quando eu era pequena, e eu sempre convencida que eles me queriam morder.
Ver o Amor de Perdição e a cara pálida, sugada, da Teresa, que repete o nome de Simão. De arrasar, especialmente aos olhos de uma criança.
Ouvir a Balada da Rita do Sérgio Godinho e ficar aflita - mas isto é para mim? Sempre agradeci os conselhos. Deve ser por isso que, ainda hoje, gosto tanto do Sérgio.
Uma vez, estar a brincar com amigos, olhar para o céu e ver umas luzes. Ficámos a pensar que eram ovnis. Fomos a correr dizer aos respectivos pais. Ninguém acreditou em nós. Disseram-nos "agora vamos para casa, vamos tomar banho e beber leite quentinho. Não viram nada ovnis". Foi mesmo isto que nos disseram - beber leite quentinho, tomar banhinho, inho, inho. Não há ovnis. Mas que nós vimos, vimos.
Pois, e tudo isto era a propósito do Mundial. Para mim, o Mundial é.















