Diz que Deus Diz que dá Diz que Deus dará Não vou duvidar, ó nega E se Deus negar Eu vou me indignar e chega
Carinhas larocas como esta, cabelinho comprido e romântico como este, devia ser como a Maria Rueff uma vez disse dos homens bonitos, usa e passa à outra.
Não gosto quando as pessoas dão o dito por não dito.
Eu sei que o faço amiúde, mas não aprecio quando os outros o fazem. E o que é certo é que as pessoas estão sempre a dar o dito por não dito "no que concerne" (oh, expressão bonita) à minha pessoa.
Há pessoas que têm uma certa mania de fazer tudo pela calada, evitando o compromisso pesado da frase declarativa afirmativa e do ponto final. Em vez disso, preferem a ambiguidade cobardolas das reticências e da frase interrogativa.
Em vez de "Passo por tua casa.", dizem "passo por tua casa... passo por tua casa? sim, passo por tua casa...", e depois não passam. Se lhes for pedir satisfações, respondem-me "eu dei-te a certeza de que ia a tua casa? Não, eu disse talvez". E assim se vão safando, graças à sua sábia manipulação gramatical.
Pois. Para mim, a gramática serve para as pessoas comunicarem racional e eficazmente, como dizia esse filósofo interessante que é Paul Grice, cujos ensinamentos fazem falta a certos indivíduos. O ponto final serve para ser utilizado. A frase declarativa afirmativa serve para comunicar algo de forma directa, clara, sem abiguidade - seja perspícuo, lá dizia Grice. Não é para nos refugiarmos na comodidade das reticências, cuja diplomacia é equivalente àquela que deu o Prémio Nobel ao Kissinger. Não tenho, de facto, as reticências em grande consideração. Não percebo porque é que as pessoas insistem em violar de forma tão aberta e abusiva estes princípios fundamentais das regras de conversação e das normas gramaticais, que servem para a gente se entender. Eu defendo o ponto final. Não aprecio quem não o sabe utilizar. A vida tem uma gramática, e portanto era bom que todos soubéssemos utilizar as regras de pontuação.
Eu dantes tinha um dicionário que era da Carina Alexandra. Lá estava, em letras grossas, muito carregadas a tinta azul, o nome dela, Carina Alexandra. Sentávamo-nos sempre os dois nos dias de teste de Inglês e usávamos o mesmo dicionário. Era uma coisa nossa, era como se fosse dos dois.
Até costumava ir a casa da Carina estudar e tudo. Ia de camioneta e depois ela e o pai iam à paragem buscar-me. O pai olhava para mim sempre desconfiado, com uma careta mal disposta. Não gostava de mim porque o cão se enervava todo quando eu ia lá a casa. Bastava-me entrar pelo portão e lá vinha o cão todo esganiçado, todo nervoso, a ladrar e a espumar. Uma vez o cãozeco ficou tão nervoso que eu pensei que me ia morder e dei-lhe um pontapé. Resultou, porque era um caniche, que são cães pequenos, mas a partir desse dia foi um problema para entrar na casa da Carina, porque o cão ora rosnava, ora gania mal me punha a vista em cima, e era um desatino. O pai da Carina adorava o cão e detestava-me a mim, e quando eu lá ia, o pai passava a tarde a consolar o cão.
A Carina e eu tínhamos sempre a mesma nota a Inglês, que era por causa do dicionário que a gente usava sempre. Eu gostava da Carina. Tinha cabelo comprido e usava uns óculos esquisitos. Eu gostava dos óculos, mas ela não. Também tinha um feitio esquisito, resmungava quando não diziam bem o nome dela, que é "Cárina", e resmungava quando alguém tinha notas melhores que as dela. Isso acontecia muito, porque a Carina Alexandra só tinha 3 e quase nunca chegava ao 4, portanto passava a vida a resmungar. Eu gostava, dava-lhe personalidade. Ela era gira.
Houve um dia em que não se quis sentar ao pé de mim nem me deixou usar o dicionário. Nunca mais usei aquele dicionário com as letras grossas a anunciar "Carina Alexandra". A Carina passou a partilhá-lo com um estúpido qualquer da nossa turma que era muito magrinho e passava a vida sozinho, sem amigos nenhuns. Para mim foi muito difícil, sem dicionário quase chumbei a Inglês e ainda hoje é uma língua que eu não sei falar bem. Mas no meu trabalho não faz diferença, qual é o empreiteiro que precisa de falar Inglês? Eu é que não sou, e além disso daqui a uns meses vou viver para o Brasil por motivos que me dão jeito não dizer, e lá fala-se português, portanto as línguas não me vão fazer falta nenhuma.
Noutro dia, via-a e voltei a pensar nela. Tinham-me dito que não tinha conseguido entrar na universidade em Lisboa para o curso que ela queria, que era Jornalismo, e que por isso tinha ficado cá na privada, a tirar acho que era Contabilidade. Mas não deve ter acabado, ou se calhar faltam-lhe cadeiras, porque a encontrei na bomba de gasolina. Estava muito mais gorda, a princípio nem a reconheci. Agora usa o cabelo puxado num rabo de cavalo muito apertadinho, assim com gel ou isso. Tem umas borbulhas na testa que dantes não tinha e já não usa óculos. Os olhos dela parecem muito mais pequeninos sem óculos, muito pequenos mesmo. Parece ainda mais esquisita. Fiquei ao pé da bomba o dia todo, para a ver sair. Chegou um tipo num carro de dois lugares e foi ter com ela. A Carina deu-lhe a mão, pareceu contente. Os olhos encolheram-se todos quando se riu. O indivíduo que a foi buscar era muito magro, muito escanzelado. Também tinha um ar encolhido e não se riu para a Carina Alexandra, até a empurrou e tudo para ela entrar no carro. Passei pela casa dos pais dela, para ver se ela ainda vivia lá, e acho que deve viver, porque vi o carro de dois lugares estacionado. Mas o raio do cão é que ainda não morreu e deve ter-me cheirado, que mal me aproximei desatou a ladrar que nem um desalmado. Fugi dali, não quero que a Carina Alexandra saiba que eu a vi. Acho que amanhã passo outra vez pela bomba de gasolina. Quero saber se ela já foi ao Brasil.
Imagino sempre o Cesário Verde com a cara do B. Fachada, ou por outra - quando o B. Fachada apareceu no cenário musical deste país, eu reparei que a cara que eu normalmente associava ao Cesário Verde era a dele. Olha que coincidência.
É, porém, uma coincidência que não surpreende - ambos são louros, de olhos claros, muito bonitinhos, magrinhos (imagino que o Cesário fosse magro), com um ar frio e frágil. Ambos são poetas, embora aqui, como se compreende, a precedência caiba ao grande Cesário. Serve este post para dizer que gostaria que isto acontecesse mais vezes - olhar para alguém e dizer, "olha, lá vai a cara do Antero de Quental" - por acaso, o B. Fachada também é parecido com o Antero; "olha, lá vai a cara do Bernardim Ribeiro"; "olha, lá vai a cara do Alexandre Herculano", mas menos sisuda, e etc. As coisas são muito diferentes quando conhecemos a cara de alguém. É como ver uma coisa a cores na TV - parece sempre muito mais real do que em preto e branco (daí ser até bem mais interessante ver a preto e branco). É exactamente o mesmo com a cara das pessoas. Há muita gente que vive a preto e branco na minha cabeça, e eu vou lá de vez em quando colorir, pinto os olhos de uma cor um dia, o cabelo de outra noutro dia qualquer. Mas gostava de conhecer, detalhadamente, a cara de algumas pessoas de que gosto, mesmo sem nunca as ter conhecido - como o meu querido Cesário e o seu absurdo desejo de sofrer.
Embora saiba que Viven Leigh protagonizou Um Eléctrico Chamado Desejo (doravante designado por Streetcar, porque eu sou uma pessoa que é asim), e que tal consumou uma injustiça para a também grande Jessica Tandy, que fazia de Blanche na peça da Broadway, dizia, embora estando ciente desta injustiça, não posso deixar de me deliciar com a Vivien enquanto Blanche Dubois.
Primeiro, sou fã da Vivien Leigh desde pequena. Teria talvez uns 10 ou 11 anos da primeira vez que vi o Gone With the Wind e me apaixonei por Rhett Butler e Scarlett O'Hara. Que fogosos, que bonitos, que imperiosos, os dois. É impossível não gostar de os ver a trabalhar, ainda que o filme dure quatro horas e que eu hoje em dia esteja em condições de admitir que, enfim, talvez seja um tanto ou quanto pastelão. Bom. Isto para dizer que tudo em Vivien Leigh como Blanche é frágil e adocicado e perigosamente instável na medida certa. O tom é irrepreensível, e a forma como Blanche balança na corda bamba, entre a sanidade mental e a loucura, é admirável. Os olhos ligeiramente desvairados, por exemplo - como é que se conseguem uns olhos apenas ligeiramente desvairados? Não sei, mas a Vivien consegue-o. Talvez tenha sido ajudada pela força incontida de Brando, que, sendo tão impossivelmente lindo, dá ao seu Stanley uma única vantagem, que não chega para o redimir - o facto de ser bonito e uma força da natureza. Tudo o resto, nele, é bruto e primário. A mulher, Stella, tem-lhe afecto devido essencialmente a questões de ordem física, ao tal desejo que às vezes complica a vida de uma pessoa. Quanto a Blanche, o seu problema é, exactamente, não saber bem o que fazer às tais questões de ordem física e descontrolar-se com isso. Depois faz figura de desavergonhada e é escorraçada da cidade onde vive. Stanley, por seu lado, sabe exactamente o que faz quando se trata de matéria carnal - domina. E a sua única superioridade assenta nisso. De modo que a pobre Blanche, que com a força mental não pode contar, e dada como é a atracções físicas desorientadas, não tem qualquer hipótese. É um problema grave quando o corpo pede coisas que a cabeça não quer dar. Criam-se discrepâncias de grande impacto social. Vale a pena ver e rever o Streetcar. Só me falta ler a peça. Ainda não resolvi este problema.
Não gosto muito do Casablanca. Não quer dizer que não considere um grande filme. Com ou sem a minha consideração, é evidente que Casablanca é um grande filme. E porém não gosto.
O meu desagrado prende-se com aquela tristemente famosa história do "we'll always have Paris". É tão inútil. De que é que serve a alguém estar para sempre ligado a um romance acabado, de lágrimas, que já não traz felicidade e que, por acordo de ambas as partes, foi terminado? Não compreendo.
A questão é que para mim foi sempre óbvio e terrivelmente claro que Ingrid Bergman deveria ter ficado com o Rick. O facto de ter apanhado o tal avião para Lisboa é incompreensível. Pode ter sido o mais nobre, o mais sensato, o mais fácil - mas não foi o mais acertado. Escolher a infelicidade para o resto da vida não pode ser o mais acertado. O marido da Ingrid arranjava-se sem ela, com certeza. Continuaria a liderar a Resistência e conhecia a sua "Jeanne Moulin" ou algo parecido. Também não gosto muito da versão do As Time Goes By que aparece no filme, ao pianinho, mas isso já é outra questão. Em vez do Sam, lamento muito mas devia ser a Billie Holiday ali a cantar. Assim, sim. Mas voltando à questão dessa problemática terrível do "we'll always have Paris" - hã? Mas isto é para servir de consolo? Não me parece consolo de qualquer espécie. Parece-me uma triste, inaceitável despedida. É isso que me transtorna em Casablanca - a separação de Rick e da Ingrid é inaceitável. A ordem natural das coisas diz que devem ficar juntos. Mas eles insistem em viver apenas de memórias - porque se enganam e insistem no erro de que a memória é algo que se tem. O meu conselho a Rick e a Ingrid (não me lembro do nome dela no filme, não quero saber) - vejam Another Woman, do Woody Allen. Aí, vão perceber que uma memória é algo que se perde. Não é algo que se tem. E talvez aí decidam ter, e não perder.
Sei, porém, de onde é que não vêm e talvez saiba o que preciso de fazer para ter mais ideias.
Mais do que desligar a televisão, que deixou de me distrair, tenho de desligar a internet. É tão fácil perder tempo com a internet, e uma perda de tempo ainda mais improdutiva do que a televisão.
Dividimo-nos em pequenos pedaços, cada um a prestar atenção a coisas diferentes - ler artigos na wikipedia, ler as notícias, ver uma coisa no youtube, descobrir um site absolutamente inútil mas que nos parece interessantíssimo, escrever parvoíces no facebook ou olhar para as parvoíces dos outros, etc.
Na maior parte das vezes, sinto-me tão mal quando desligo a internet como quando acabo de jogar Sims3, que a minha infantilidade não consegue deixar de gostar - absolutamente oca. Não há nada na minha cabeça, nestes momentos. A internet é, na maior parte das vezes, a fast food do cérebro. É claro que apresenta vantagens inegáveis mas é, fundamentalmente, a glorificação globalizada e virtual da inutilidade. Eu sempre fui a favor da inutilidade, mas agora começo a achar um tanto ou quanto demais. É que, antes da internet e dos computadores, eu não sabia o que era a sensação de completo esvaziamento mental. Agora sei. E considero desagradável. Não gosto. Por isso, gostava, sim, de saber de onde vêm as ideias. Gostava de conseguir passar uma semana sem televisão nem internet, a ler, a ler, a ler compulsivamente e a ter ideias. Mas basta-me ligar o pc para não resistir ao impulso demoníaco do império on-line. Além de que, obviamente, tenho o blog, e gosto do blog. É bom ter algo que obrigue a escrever regularmente, mesmo que nem sempre saia bem. Mas vir ao blog implica entupir-me com as boçalidades que navegam por aí, neste espaço etéreo onde nos encontramos. E é chato. Gostando de inutilidade, sempre me insurgi ligeiramente contra a boçalidade, que incomoda. Bom. Isto para dizer que há semanas que não tenho uma única ideia de jeito. Uma única. Ando a trabalhar demasiado, talvez, e eu nunca me dei bem com o trabalho. Eu e o trabalho, é uma magia que não se dá. Enfim.
Quando li a Pérola, de Steinbeck, na escola secundária, o professor disse-nos para prestarmos atenção à personagem do médico ganancioso e viscoso e como o facto de ele se referir aos doentes como "clientes" definia, por si só, tal personagem.
Lembro-me muitas vezes deste médico da Pérola. No outro dia fui à clínica e tinham lá uma mensagem a avisar os "clientes" de uma seguradora de que iriam perder uma qualquer cobertura (ambulância ou o que era). Vi há pouco uma série americana com uns médicos que chamam à clínica onde eles próprios trabalham "a place of business". Incomoda-me. É isto.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Estou em choque. Descobri agora que Saramago morreu. O Ano da Morte de Ricardo Reis ficará para sempre comigo.
A única consolação que tenho (e não é bem consolação) é que me faltam ainda muitos livros de Saramago para ler. Duvido que me apaixone por algum como pelo Ano da Morte, mas pode ser que aconteça. É Saramago, afinal. E a sua escrita, aquele domínio da língua que ele tinha, uma coisa impressiva, uma simplicidade que aterrava, as verdades tão simples, chãs, que ele conseguia dizer.
Dentro de nós há uma coisa que não tem nome e essa coisa é o que nós somos.
A solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou alguma coisa dentro de nós.
Era uma escrita sentenciosa. Mas nunca doutrinal. Era bonita, apenas. Era bom ler pelo prazer de ver ali a língua portuguesa num expoente de criatividade, de significação, de matéria que é trabalhada e esfregada e tecida até resultar naquelas frases assombrosas.
Gostava dele. Considero-o um enorme escritor. Não me apete dizer mais nada. Apetece-me ler isto:
Thou wast not born for death, immortal Bird No hungry generations tread thee down; The voice I hear this passing night was heard In ancient days by emperor and clown:
Perhaps the self-same song that found a path
Through the sad heart of Ruth, when, sick for home, She stood in tears amid the alien corn; The same that ofttimes hath Charm'd magic casements, opening on the foam Of perilous seas, in faery lands forlorn.
Qual é a ideia de uma banda que tem o nome de um dos membros? Não compreendo o objectivo. Não vale mais ter uma carreira a solo?
Por exemplo - Van Halen. Não compreendo esta escolha de nome. Porque é que o Van Halen não se decidiu por uma carreira a solo? Era porque não sabia cantar e precisava de um indivíduo para ir saltar, cantar e fazer figura de parvo, ao passo que ele, Van Halen, se limitava a deixar que a sua franja fizesse a figura de parvo por ele, ficando caladinho, a tocar a guitarrinha e pronto? É uma incógnita. Outro exemplo - Fleetwood Mac. Percebo que o Mick Fleetwood tenha sido o fundador. Mas então porque é que não escolheu ser artista a solo? Se precisava de uma gira loura e maluca, com a mania que é bruxa pagã (é o que me consta da Stevie Nicks), para vender discos, então que tivesse respeitado os outros e tivesse dado um nome mais democrático à banda - Fleetwood Mac & Stevie, por exemplo, sei lá. Estas bandas deveriam pôr os olhos num exemplo de classe, bom gosto e democracia - Crosby, Stills & Nash, que por vezes, como bem se compreende, eram os Crosby, Stills, Nash & Young. Pois é. Ao menos, está o nome de toda a gente muito bem discriminadinho. Analisando agora uma outra problemática, também acho foleiro que certas bandas decidam incorporar o próprio nome nas canções. Os Porno for Pyros tinham uma música que se chamava: Porno for Pyros. O refrão era: Porno for Pyros. Para o caso de ninguém ter percebido bem a designação da banda, sentiram esta necessidade de enfatizar. Também não compreendo tal necessidade. Deriva, provavelmente, de certas inseguranças e desejo de afirmação. Considero desagradável. O meu irmão dava sempre o exemplo do ridículo que seria se os Smashing Pumpkins decidissem escrever uma canção cujo refrão fosse o nome da banda. Pois é. Muito inconveniente, e até feio. Nem os Beatles se safam - uma canção chamada Beatles seria terrível. Neste aspecto, os Rolling Stones têm mais sorte porque foram buscar o nome a uma música irrepreensível do Muddy Waters, e portanto aqui nada a dizer. Mas voltando às bandas cuja designação corresponde ao nome de um dos membros - é muito pouco democrático. Eu não gostaria de estar numa banda chamada "Sousa", ou "Santos", ou "Ferreira". Mais vale pertencer a um conjunto musical tipo Jorge Santos e Seus Muchachos. Sempre seria mais honesto. E agora, parar com toda a parvoíce e abrir coração e ouvidos ao momento musical que se segue. Impecável. Soberbo. Este Muddy Waters era rei. Os Rolling Stones tinham muito bom gosto, de facto.
Well, I wish I was a catfish, swimmin in a oh, deep, blue sea I would have all you good lookin women, fishin, fishin after me Sure 'nough, a-after me Sure 'nough, a-after me Oh 'nough, oh 'nough, sure 'nough
I went to my baby's house, and I sit down oh, on her steps. She said, "Now, come on in now, Muddy You know, my husband just now left Sure 'nough, he just now left Sure 'nough, he just now left" Sure 'nough, oh well, oh well
Well, my mother told my father, just before hmmm, I was born, "I got a boy child's comin, He's gonna be, he's gonna be a rollin stone, Sure 'nough, he's a rollin stone Sure 'nough, he's a rollin stone" Oh well he's a, oh well he's a, oh well he's a
Well, I feel, yes I feel, feel that a low down time ain't long I'm gonna catch the first thing smokin, back, back down the road I'm goin Back down the road I'm goin Back down the road I'm goin Sure 'nough back, sure 'nough back
Muitas vezes, envio emails a mim própria. É um método eficaz e seguro para guardarmos documentos e material necessário, escusando de dependermos de pens e computadores e outras coisas que se podem avariar (comigo, avariam-se sempre). E porém. Isto de me enviar emails é fenómeno que não cessa de me espantar e confundir. Os filósofos do século XIX e da escola romântica, soubessem eles desta invenção magnificente que é a Internet, e ficariam com certeza com a cabeça descontrolada, de tanto que teriam para dizer. Estou mesmo a ver o desespero acerca da perda da individualidade, a fragmentação da identidade. Tenta lá ser a flauta divina que Deus toca ao escreveres poemas num blog, ó Shelley. Fazeres uns copy paste deste e daquele, aqui e ali. E depois reencaminhares para ti próprio. Não há grande divindade nisso, pois não? Mas, por exemplo, Schopenhauer. Considero que a internet e a possibilidade de enviarmos emails a nós próprios é coisa capaz de dar cabo da cabeça ao pobre Schopen. Hã? Então mas... que vontade é esta e ... solipsismo? Então como, se eu não sei onde está o meu Eu? Está no facebook? Está nos 10 endereços electrónicos diferentes? Está nos vários blogues que escrevo? Pois, agora assim de repente não consigo muito bem perceber onde é que está o meu Eu, e sendo assim isto do solipsismo ... se calhar convinha primeiro ver onde é que está a consciência de si e tal... talvez no facebook? O facebook parece-me bem, vou começar por lá e... Pobre Schopen. Ainda bem que não nasceu nesta altura, se não andava para aí a bater com a cabeça nas paredes, desgovernado. Os Gregos é que estariam muitíssimo bem preparados para a internet. O quê, mandar emails a nós próprios? Pffff, faço isso todos os dias ao pequeno-almoço. Quero lá saber disso, este mundo para mim nada tem de novo. Eu só sei que nada sei, de modo que não é uma porcaria de um email que me vai afectar. Assim como assim, isto é tudo uma ilusão. Esta gente pensa que descobriu o mundo virtual agora - pobres coitados, eu rio-me da sua ignorância. Eles sempre viveram no mundo virtual. Não passamos de sombras. A Ideia está lá no alto, a rir-se de nós. O Arquétipo não é para toda a gente. E andam estes todos contentes, a pensar no facebook, a analisar o facebook, como se isso fosse alguma coisa de novo. Pobres ignorantes. Os Gregos é que davam bem a volta à internet, de facto. Numa luta entre a internet e os filósofos gregos, ganhavam os gregos à vontade.
Hoje passaram-se várias coisas durante o meu almoço. De vário tipo e de vária ordem.
Eu e a minha amiga L. discutimos a tal questão do Código Da Vinci vs. Pêndulo de Foucault, mas antes disso, tivemos de ficar à espera de mesa. Era um daqueles restaurantezinhos (ou restaurantezecos?) pequenos, de hora de almoço, que tem sempre movimento e também a vantagem de ser baratinho (ou barateco?). Bom. Eu perguntei ao senhor - "desculpe, podemos sentar-nos naquela mesa?", ao que ele respondeu "deixa-me limpar primeiro". Deixa-me. E disse mais qualquer coisa recorrendo a este fenómeno desagradável que é a segunda pessoa do singular. Eu tenho a ligeira convicção de que o tu e a segunda do singular deviam mais ou menos ser omitidos das gramáticas que se dão a pessoas que têm estabelecimentos públicos. Estas pessoas deviam aprender uma gramática especial, só para elas, em que não figurasse o "tu". É discriminação? Pois sim. Se esta medida é discriminação, paciência. A verdade é que nem crianças de uma certa idade (mais crescidinhas) deveriam ser sujeitas ao tu quando vão às lojas (relativamente ao tratamento de crianças em lojas, nem me aventuro a dissertar - o pessoal das lojas tem de se decidir, porque ou enlouquecem à vista de uma criança, ou ignoram-na completamente, e lá fica ela de moedinha ao balcão, como eu já vi, a tentar pagar o café do pai). Eu sei bem que há muitos falantes de língua portuguesa que acham que devíamos ser mais como os espanhóis, mais informais, muito tu para aqui e para acolá - eu respeito esta posição porque, se de facto fosse próprio da língua portuguesa usar naturalmente o tu, nada teria contra. Mas a verdade é que não é. A verdade é que, socialmente, é mais neutro (nem vou dizer mais bem-educado; digo só mais neutro) preferir a terceira pessoa do singular ao "tu". Não vale a pena dizer, "ah, vamos usar todos o tu", quando ninguém usa. É forçado. Fere o ouvidinho. Se estiver em Espanha e me tratarem por tu, não me passa pela cabela começar a "mandar vir" (bela expressão); a norma é assim e pronto. Mas o que é certo é que eu vivo em Portugal, onde o tu não é muito aceitável, a não ser que se trate da nossa família ou dos nossos amigos. Pronto, ok, admito, retracto-me, faço todos os mea culpa e mais alguns - posso ser conservadorazeca, reaccionariazeca, tudo muito -eco, mas a verdade é que o tu me aborrece verdadeiramente. Aborrece. É foleiro. Foleireco.
Acho graça aos diminutivos portugueses. Podem ser de vário tipo e de vária ordem, desde a junção dos sufixos -inho e -eco até à pronúncia engraçada de certas expressões (por exemplo, há quem diga "sim sinhora" em vez de "sim senhora", para ser mais simpático. É fofinho).
Fascina-me, em particular, o sufixo -eco. Não há formas mais ostensiva e eficaz de denotar desprezo do que este cómico, sonante sufixo. Por acaso, o meu irmão tem a mania de me chamar Riteca, mas neste caso é só a brincar. Espera-se. Vejamos o efeito deste sufixo nalguns nomes que não o meu (o meu é impenetrável a este tipo de achincalhos) - Hélder, Helderzeco; Filipa, Filipazeca; Lúcia, Luciazeca; Pedro, Pedreco; Isabel, Isabeleca, etc. Podia continuar, mas penso que já se compreendeu o efeito. De facto, o português é uma língua crudelíssima. É uma língua que se dá ao trabalho de codificar morfologicamente esse sentimento de achincalho que é o desprezo. Se queremos demonstrar o nosso desagrado por alguém, basta recorrermos ao -eco. Considero interessantíssimo que uma língua de morfologia tão forte como a nossa utilize, precisamente, um dos seus pontos fortes para atacar os próprios falantes, colocando à disposição este -eco tão embaraçoso. Dizer de alguém, por exemplo, "é uma mulherzeca", ou "é um homenzeco", é inferiorizante. A língua portuguesa não é apenas traiçoeira, é também cruel. Que tristezazeca.
Não sei porque não se refere mais vezes que o Código Da Vinci copia descaradamente o Pêndulo de Foucault de Umberto Eco. Basta comparar as cenas iniciais destes dois livros - iguais. O resto, enfim, não é igual-igual porque o Pêndulo é uma coisa mais esforçada, mais bem argumentada, com mais referências. Enfim, é um Código da Vinci mais inteligente e labiríntico, uma coisa assim com mais nível.
O Código da Vinci, por seu lado, é o Pêndulo de Foucault versão Praça de Espanha. Mas não deixa de ser largamente inspirado (arriscaria quase plágio, mas enfim) do Pêndulo.
Acho sinceramente estranho que, dado o mediatismo do livro de Dan Brown, não se tenha falado mais disto. Lembrei-me disto ao almoço. Eu e a minha amiga L. estávamos a falar sobre isto. Nós achámos interessante. É assim.
Olha, estou a ver aquele programa que é o Cinco Para a Meia Noite.
Às segundas é apresentado por aquela rapariga gira de olhos azuis muito grandes e cabelo preto. Gosto imenso de cabelo escuro e olhos claros, é de facto giro.
A rapariga é um bocado nervosa, não é? Esfrega muito as mãos.
Tive pena dela uma vez que a vi a "entrevistar" a Felícia Cabrita. Não me consigo lembrar de pior situação do que estar na presença da Felícia Cabrita. Coitada. Não é bom ter pena das pessoas. Quando se tem pena, é porque não gostamos das pessoas, achamos que somos superiores e não conseguimos impedir um certo paternalismo desagradável. Mas, se eu nem conheço a rapariga, posso ter a pena dela à vontade, e tenho. Embora deva é ter pena de mim, se calhar. Não, que ideia, o que mais me faltava agora era isso. Olha, o entrevistado é o Jorge Gabriel. Eh pá. Assim não dá. Mas quem é que tem estas ideias peregrinas, entrevistar o Jorge Gabriel? Estão à espera que ele fale de quê? Supostamente, este programa devia ser giro. Pois, não é. Ver o Jorge Gabriel é quase tão mau como ver a Felícia Cabrita. Vou mudar isto. Parece que sou parva, se tenho comando é para mudar de canal. Não são os Gato Fedorento que dizem que o comando é Meo? Foleirada.Têm a vida feita à custa da porcaria do Meo, esses gajos. E gosto tanto deles à mesma, têm tanta piada. Fico chateado, é claro que fico chateado... ah, ah. Tinha mesmo graça, esse sketch. Um fartote. Deixa lá mudar esta coisa. Este Gabriel, sempre que abre a boca, só fala é de bola e concursos. Gostava de conseguir imaginar esta cena, uma pessoa que acorda de manhã e pensa, "quem é que eu vou entrevistar hoje? Olha, o Jorge Gabriel" - hã? É que não se imagina. Vou dormir. Não tenho sono nenhum. Vou acabar de ler os Contos de S. Petersburgo. Tenho de deixar de ler aquela enciclopédia do crime ao mesmo tempo, depois acho estranho andar com tantos pesadelos. Realmente, há cada coisa. Estou de tal forma que nem consigo pensar. Agora, por exemplo, se quiser escrever sobre o que estou a pensar, não conseguirei. Não estou a pensar em nada. É impressionante. Ainda bem que não quero escrever sobre isso. Era como o Seinfeld. O Seinfeld também era sobre nada. Uma vez, a Elaine escolhe outros amigos porque diz ao Jerry que não consegue passar a vida a entrar no apartamento dele e a esmiuçar com todo o pormenor cada minuto do dia-a-dia. Chama-se Bizarro Jerry, esse episódio, acho eu, qualquer coisa bizarro. O que é certo é que a Elaine continua a discutir os mais pequenos pormenores do dia-a-dia até ao fim da série, e ainda bem. O Seinfeld só prova que a vida normal tem muito humor e muito para dizer. Adorava esta série por causa disso, porque demonstrava a riqueza da vida normal. O Jorge Gabriel agora está a dizer que gosta de ler a Anita. E que quer fazer um talk-show. Que vai buscar ideias ao Letterman, ao Jay Leno, ao Conan O'Brien. Já começo a perceber porque é que o convidaram. Jorge Gabriel vai buscar ideias ao Conan. É para rir, de facto. Eu também vou buscar ideias às irmãs Bronte e à Virginia Woolf. Só assim umas ideias, que estas escritoras também não dão para muito mais. Há tanto para dizer acerca da trivialidade. Realmente. Pois é.
Para mim, o Mundial é. Para mim, o mundial é o México 86, o mundo unido num balón. E beber Milo de manhã. Ainda se vende Milo no Chipre (talvez se venda noutros países, mas vi à venda no Chipre e comprei 300 latas. Não sabia ao mesmo. Foi uma desilusão). E o Micha dos Jogos Olímpicos. E, ao jantar, engolir uma colherada de um líquido verde e amargo, que era para abrir o apetite. Abriu de tal forma que o apetite dura até hoje. E ir andar de bicicleta no passeio à frente de casa, pedalar, pedalar, pedalar até conseguir deixar de andar com rodinhas.
E ler o General Dourakine da Condessa de Ségur e ficar muito impressionada com o feudalismo russo e com tanta chicotada. Tudo corrido à chicotada. Já escrevi antes que a Condessa de Ségur era uma sádica. Maluca. Ver o Sítio do Picapau Amarelo e adorar a Emília e o Sassi Pê-rê-rê (não sei se é assim que se escreve) e sentir pavor, terror até, daquele óbvio boneco que para mim era um verdadeiro crocodilo de cabeleira, dentes arreganhados e garras ameaçadoras, chamado Cuca.
E ver as Irmãs Bronte, as minhas irmãs Bronte, do Techiné e achar que a Isabelle Adjani era linda (e é). Ainda hoje, a Emily Bronte tem, para mim, a cara de Adjani. No filme, veste-se de homem e apanha tuberculose quando experimenta um casaco do falecido irmão Branwell. Começa a tossir, a tossir, a tossir e tem de se sentar na cama vazia e desconsolada, os cabelos pretos e longos a cobrirem-lhe a cara afogueada. Ao ver esta cena, o meu sonho passou a ser ter ataques de tosse assim, que me obrigassem a sentar-me na cama daquela forma derreada, dramática, romântica. Ainda não aconteceu, o que, hoje em dia, me parece claramente vantajoso.
Ir brincar à apanhada depois do jantar, se não estivesse a chover, ou andar de bicicleta, ou ir ao poço dar à manivela para de lá sair água. Fugir dos cães. Havia sempre tanto cão, quando eu era pequena, e eu sempre convencida que eles me queriam morder. Ver o Amor de Perdição e a cara pálida, sugada, da Teresa, que repete o nome de Simão. De arrasar, especialmente aos olhos de uma criança. Ouvir a Balada da Rita do Sérgio Godinho e ficar aflita - mas isto é para mim? Sempre agradeci os conselhos. Deve ser por isso que, ainda hoje, gosto tanto do Sérgio. Uma vez, estar a brincar com amigos, olhar para o céu e ver umas luzes. Ficámos a pensar que eram ovnis. Fomos a correr dizer aos respectivos pais. Ninguém acreditou em nós. Disseram-nos "agora vamos para casa, vamos tomar banho e beber leite quentinho. Não viram nada ovnis". Foi mesmo isto que nos disseram - beber leite quentinho, tomar banhinho, inho, inho. Não há ovnis. Mas que nós vimos, vimos.
O que é certo é que nunca por nunca voltei a ver ovnis. Já não há luzes nos céu, como cantava o outro (ou seriam estrelas. Sei lá. O que é que interessa). Pois, e tudo isto era a propósito do Mundial. Para mim, o Mundial é.
A prova de que não cresci é que, a primeira vez que vi Trainspotting, e apesar de ter adorado o filme, não me identifiquei muito com o discurso inicial de Renton, que entretanto se tornou de antologia ('choose life, choose a job, choose a career', etc).
A prova de que não cresci é que hoje, ao rever o mesmo discurso, identifico-me com quase tudo, excepto a parte da heroína, porque felizmente eu não sou nenhuma heroína nem preciso de me sentir heróica. A prova de que não cresci é que um discurso que me deveria parecer uma imaturidade, um lugar-comum escrito para vender livros e seduzir gente influenciável com a mania que é esperta e que não leu tantos livros quanto os que julga que leu, a mim que vou nos alvores da provecta idade balzaquiana, parece-me muito certo e razoável. Todas aquelas dúvidas são legítimas. Toda aquela incerteza e recusa são justificadas. Justificadas porquê? Não sei, mas são. E é engraçado, porque toda esta inquietação, esta incerteza, esta recusa, tudo isto podia ter uma aura muito filosófica. Mas não tem. É mesmo só chatice, sem desculpa nenhuma.
Choose a life. Choose a job. Choose a career. Choose a family. Choose a fucking big television. Choose washing machines, cars, compact disc players and electrical tin openers... Choose DSY and wondering who the fuck you are on a Sunday morning. Choose sitting on that couch watching mind-numbing, spirit crushing game shows, stucking junk food into your mouth. Choose rotting away in the end of it all, pishing your last in a miserable home, nothing more than an embarrassment to the selfish, fucked up brats you spawned to replace yourself, choose your future. Choose life... But why would I want to do a thing like that?
Eh pá, adoro marchas populares. A qualidade musical é tão excelsa que tenho muita pena de ninguém se ter lembrado de gravar o repertório em CDs, para eu poder comprar e ouvir todos os dias. Será que a recolha de Giacometti e Lopes Graça contempla as marchas populares? Se não contempla, devia. O guarda-roupa é cuidado e interessantíssimo, de grande fiabilidade histórica e extremamente revelador dos diferentes bairros de Lisboa e da pluraridade cultural dos mesmos bairros. As coreografias são complexas e estruturadas, de grande expressividade, o complemento perfeito da riqueza musical a que já aludi.
No seu todo, as marchas populares são um evento pleno de significado cultural onde a sociedade portuguesa revela a sua índole popular tão gira, sendo que são as marchas, igualmente, o melhor sítio para se ir ver o povo. De vez em quando, é bom ir ver o povo, ver como vivem, como falam, aquilo que os move, comove e demove.
Eu acho o máximo. Adoro marchas populares, logo seguidas de teatro de revista, essa outra marca indelével do povo. Ainda bem que vivemos num país onde há tanto povo por todo o lado.
Por acaso, não sei a quem cabe a tarefa de escrever provérbios, mas gostava de conhecer a pessoa que se lembrou desta frase - longe da vista, longe do coração.
É que não me consigo lembrar de provérbio com o qual concorde menos. Talvez seja este mundo cheio de angústias de jovens Werthers e produtos derivados de uma cultura que gosta de exarcebar sofrimentos e devaneios amorosos, mas a verdade é que este provérbio não resulta.
Longe da vista, longe do coração? Era bom, era. Ainda hei-de descobrir quem foi o chico-esperto que se lembrou disto.
Mas a Fama, trombeta de obras tais, Lhe deu no mundo nomes tão estranhos De Deuses, Semideuses imortais, Indígetes, Heróicos e de Magnos. Por isso, ó vós que as famas estimais, Se quiserdes no mundo ser tamanhos, Despertai já do sono do ócio ignavo, Que o ânimo, de livre, faz escravo.
E ponde na cobiça um freio duro, E na ambição também, que indignamente Tomais mil vezes, e no torpe e escuro Vício da tirania infame e urgente; Porque essas honras vãs, esse ouro puro, Verdadeiro valor não dão à gente. Milhor é merecê-los sem os ter, Que possuí-los sem os merecer.