Eu e a minha amiga L. discutimos a tal questão do Código Da Vinci vs. Pêndulo de Foucault, mas antes disso, tivemos de ficar à espera de mesa. Era um daqueles restaurantezinhos (ou restaurantezecos?) pequenos, de hora de almoço, que tem sempre movimento e também a vantagem de ser baratinho (ou barateco?).
Bom. Eu perguntei ao senhor - "desculpe, podemos sentar-nos naquela mesa?", ao que ele respondeu "deixa-me limpar primeiro".
Deixa-me. E disse mais qualquer coisa recorrendo a este fenómeno desagradável que é a segunda pessoa do singular.
Eu tenho a ligeira convicção de que o tu e a segunda do singular deviam mais ou menos ser omitidos das gramáticas que se dão a pessoas que têm estabelecimentos públicos. Estas pessoas deviam aprender uma gramática especial, só para elas, em que não figurasse o "tu". É discriminação? Pois sim.
Se esta medida é discriminação, paciência. A verdade é que nem crianças de uma certa idade (mais crescidinhas) deveriam ser sujeitas ao tu quando vão às lojas (relativamente ao tratamento de crianças em lojas, nem me aventuro a dissertar - o pessoal das lojas tem de se decidir, porque ou enlouquecem à vista de uma criança, ou ignoram-na completamente, e lá fica ela de moedinha ao balcão, como eu já vi, a tentar pagar o café do pai).
Eu sei bem que há muitos falantes de língua portuguesa que acham que devíamos ser mais como os espanhóis, mais informais, muito tu para aqui e para acolá - eu respeito esta posição porque, se de facto fosse próprio da língua portuguesa usar naturalmente o tu, nada teria contra. Mas a verdade é que não é. A verdade é que, socialmente, é mais neutro (nem vou dizer mais bem-educado; digo só mais neutro) preferir a terceira pessoa do singular ao "tu". Não vale a pena dizer, "ah, vamos usar todos o tu", quando ninguém usa. É forçado. Fere o ouvidinho. Se estiver em Espanha e me tratarem por tu, não me passa pela cabela começar a "mandar vir" (bela expressão); a norma é assim e pronto. Mas o que é certo é que eu vivo em Portugal, onde o tu não é muito aceitável, a não ser que se trate da nossa família ou dos nossos amigos.
Pronto, ok, admito, retracto-me, faço todos os mea culpa e mais alguns - posso ser conservadorazeca, reaccionariazeca, tudo muito -eco, mas a verdade é que o tu me aborrece verdadeiramente. Aborrece. É foleiro. Foleireco.
Bom. Eu perguntei ao senhor - "desculpe, podemos sentar-nos naquela mesa?", ao que ele respondeu "deixa-me limpar primeiro".
Deixa-me. E disse mais qualquer coisa recorrendo a este fenómeno desagradável que é a segunda pessoa do singular.
Eu tenho a ligeira convicção de que o tu e a segunda do singular deviam mais ou menos ser omitidos das gramáticas que se dão a pessoas que têm estabelecimentos públicos. Estas pessoas deviam aprender uma gramática especial, só para elas, em que não figurasse o "tu". É discriminação? Pois sim.
Se esta medida é discriminação, paciência. A verdade é que nem crianças de uma certa idade (mais crescidinhas) deveriam ser sujeitas ao tu quando vão às lojas (relativamente ao tratamento de crianças em lojas, nem me aventuro a dissertar - o pessoal das lojas tem de se decidir, porque ou enlouquecem à vista de uma criança, ou ignoram-na completamente, e lá fica ela de moedinha ao balcão, como eu já vi, a tentar pagar o café do pai).
Eu sei bem que há muitos falantes de língua portuguesa que acham que devíamos ser mais como os espanhóis, mais informais, muito tu para aqui e para acolá - eu respeito esta posição porque, se de facto fosse próprio da língua portuguesa usar naturalmente o tu, nada teria contra. Mas a verdade é que não é. A verdade é que, socialmente, é mais neutro (nem vou dizer mais bem-educado; digo só mais neutro) preferir a terceira pessoa do singular ao "tu". Não vale a pena dizer, "ah, vamos usar todos o tu", quando ninguém usa. É forçado. Fere o ouvidinho. Se estiver em Espanha e me tratarem por tu, não me passa pela cabela começar a "mandar vir" (bela expressão); a norma é assim e pronto. Mas o que é certo é que eu vivo em Portugal, onde o tu não é muito aceitável, a não ser que se trate da nossa família ou dos nossos amigos.
Pronto, ok, admito, retracto-me, faço todos os mea culpa e mais alguns - posso ser conservadorazeca, reaccionariazeca, tudo muito -eco, mas a verdade é que o tu me aborrece verdadeiramente. Aborrece. É foleiro. Foleireco.




